segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Polaroides inéditas da Madonna antes da fama

O fotógrafo Richard Corman relembra como conheceu e fotografou, em 1983, a carismática garota de East Village quando ela estava prestes a estourar. Em junho de 1983, Madonna era uma ambiciosa mulher de 24 anos ganhando impulso nas paradas de sucesso. Quando o fotógrafo Richard Corman conheceu a jovem cantora, Madonna serviu chiclete e um expresso numa bandeja de prata em seu apartamento boêmio em East Forth Street. Como ele diz, ela estava "literalmente prestes a explodir na estratosfera" do pop. Um mês depois que eles tiraram algumas polaroides casuais, ela lançou seu disco de estreia, Madonna, que produziu três grandes hits ("Holiday", "Lucky Star" e "Borderline"). Um ano depois, ela estava em cima de um bolo de casamento em sua performance histórica de "Like a Virgin" para o VMA da MTV. Mas quando Corman tirou essas belas fotos com sua Polaroide SX-70, ela ainda era a namorada do DJ Jellybean Benitez, dançarina na Funhouse e Danceteria, e uma artista tentando pagar o aluguel trabalhando como garçonete e modelo de nu para estudantes de arte. Como a própria Madonna escreveu sobre a época: "Eu me sentia como uma guerreira abrindo caminho pela multidão para sobreviver". Richard Corman tinha contatos importantes no começo dos anos 80. Ele tinha trabalhado como assistente de Richard Avedon, e sua mãe Cis foi a diretora de elenco de filmes como Touro Indomável e O Franco Atirador. Quando Corman fotografou Madonna, ele também estava tirando fotos de Keith Haring no Soho e Jean-Michel Basquiat em seu estúdio em Great Jones Street. Mas nada o tinha preparado para a jovem que o olhava como se estivesse "pronta para dominar o mundo". Depois de 30 anos juntando poeira num armazém, as 66 polaroides vão finalmente cumprir seu destino como conteúdo de um livro e uma exposição. Corman compartilhou essa história com a VICE. VICE: Como você tirou essas polaroides? Richard Corman: Essas imagens foram feitas em 1983. O que as torna tão charmosas e especiais para mim é a ligação delas com a minha mãe. Ela tinha me apresentado a Madonna na primavera de 83, quando estava trabalhando com o elenco de um filme chamado A Última Tentação de Cristo de Martin Scorsese. Madonna fez o teste para a Virgem Maria. Ela não ficou com o papel, mas nos encontramos de novo quando eu estava trabalhando no Avedon Studios. Eu estava sempre procurando gente interessante para fotografar. Eu nunca tinha conhecido ninguém como ela. Ela era muito original. A sessão de polaroides veio um pouco depois, quando minha mãe estava desenvolvendo um nicho musical chamado Cindy Rella. Madonna estava no apartamento do irmão dela, e eu precisava mandar fotos [de casting] para a Warner Bros urgente. Não tínhamos nada digital ou celulares na época, mas tínhamos polaroides. Então fiz 66 fotos. Fizemos um livro com um roteiro para eles, e o casting. Michael Jackson ou Prince faria o príncipe, Aretha Franklin faria a madrasta malvada. Acontece que o filme nunca foi feito, e o roteiro e as 66 fotos se perderam, pelo menos eu achava, por 30 anos. Eu estava limpando meu armazém recentemente e as achei num canto; meu queixo caiu quando achei essas imagens ali. Em perfeitas condições. Se essas fotos tivessem sido feitas hoje, eu teria umas 30 pessoas naquele apartamento. Mas na época estávamos só eu e ela, foi muito simples. Ela era muito acessível, divertida e sexy. Ela era muito legal e tinha um grande carisma. Então começamos com algumas fotos dela limpando a casa como Cinderela, e depois se aprontando para o baile. Ela saiu e acho que levou umas duas horas para achar aquele vestido num brechó. Na época ela já era um fenômeno local. Não sou necessariamente fã da Madonna, mas com certeza sou fã da determinação, do espírito e da energia dela. As fotos hoje parecem muito mais relevantes que na época. Ela sempre foi relevante, claro. Mas o jeito como ela estava vestida, o cabelo, a maquiagem. Tudo no estilo e no swag dela eram muito século 21. Do jeans aos lábios vermelhos, o delineador de gatinho, as raízes escuras do cabelo. Tudo nela era muito atual. Então ela mesma escolheu as roupas e fez o cabelo e a maquiagem? Sim. Ela estava sempre no controle. Ela sabia exatamente como queria parecer. Naquela noite, ela encontrou minha mãe, meu pai e eu num lugar em Upper West Side que todos os atores de Nova York frequentavam. Ela entrou e o lugar parou. Ninguém tinha um look como o dela! Ela era uma visionária em vida, e com certeza 100% original. Sua mãe, Cis Corman, era diretora de elenco, certo? Sim, e mais tarde ela se tornou produtora da companhia de Barbra Streisand. Essas fotos são tão especiais para mim porque hoje ela sofre muito com o Alzheimer. Ela tem 90 anos. Essa é uma homenagem a ela. Nada disso teria acontecido sem a colaboração dela. Quando você começou a fotografar? Comecei a tirar fotos logo depois de trabalhar com Avedon em 83. Nunca estudei fotografia, eu estava me preparando para fazer psicologia. Tirei um ano de folga e a fotografia meio que caiu no meu colo, só porque eu precisava dar um tempo. Aí me apaixonei por isso, dei uma chance para a profissão e decidi que era isso que meu coração queria. A experiência com Avedon definitivamente mudou minha vida. Como era trabalhar com Avedon? Ele mudou minha vida da melhor maneira possível. Eu estava na companhia de alguém incrivelmente apaixonado, inteligente e a vida toda dele girava em torno do trabalho. Ele era brilhante, generoso, egoísta, mas passei muito tempo viajando com ele. Um dos projetos em que trabalhei diretamente com ele foi In The American West. Então passei dois verões com ele viajando. Foi algo que alterou minha mente. Falávamos sobre arte e fotografia o tempo todo. Como você acha que o trabalho de Avedon influenciou o seu? A coisa mais importante no trabalho de Dick eram os olhos dos temas, e capacidade de ver além dos olhos deles. Ele permitia que os temas contassem sua própria história. Para mim, as fotos que têm mais significado são aquelas onde você vê algo além dos olhos da pessoa. Onde elas podem contar sua própria história. E qual é a história da Madonna nessas imagens? "Vou estar no topo do mundo. Vou dominar o mundo. Nada vai me impedir, e vou passar por cima de tudo até chegar ao meu objetivo." Essa com certeza era a linguagem. Era muito real e natural. Nada parece pretensioso. Quando a conheci e fui até o apartamento dela, ela teve que me acompanhar pelas escadas porque o prédio era cheio de bandidos. Eles a protegiam. Ela disse "Richard, não entre no prédio até eu avisar os caras lá embaixo". Ela era a flautista de Hemelin do bairro. As pessoas iam para o apartamento dela comer pizza, cantar e dançar no terraço. Ela recebia todo mundo de braços abertos, e a cidade era muito violenta naquela época. Todas as imagens cortesia de Richard Corman. Tradução: Marina Schnoor. Fonte: Vice
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