segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A jornada psicótica na série Bates Motel da Netflix

Bates Motel teve uma jornada curiosa até seu último ano. Ao ser anunciada, a série não foi muito bem recebida devido ao assunto que abordaria: os clássicos personagens imortalizados no filme Psicose, de 1960, dirigido por Alfred Hitchcock. Não seria uma tarefa fácil contar o passado de Norma (Vera Farmiga) e Norman Bates (Freddie Highmore), explicar tudo até o ponto momento que vemos no longa. Ainda assim, o desafio estava aceito e começava o prelúdio. [Cuidado, possíveis spoilers abaixo!] Foram quatro anos de altos e baixos, mas a constância da atuação dos protagonistas sustentava todo o restante. A quinta temporada, por sua vez, trazia a mais difícil tarefa de todas: adaptar os acontecimentos do filme, trazer Marion Crane (Rihanna) de volta e refazer a clássica cena do assassinato no banheiro do motel. A série já tinha se provado quando escolheu matar Norma com o suposto vazamento de gás, sendo ainda mais corajosa quando coloca a polícia para determinar sua morte um suicídio; mas refazer a clássica cena do chuveiro ainda era um grande desafio para a produção. Desde o primeiro episódio do quinto ano, Bates Motel deixava claro que estava em sua reta final. Norman nunca estivera mais descontrolado enquanto estava sozinho - em companhia apenas de sua doença - na grande casa aos fundos do motel. Aliás, todas as cenas que envolvem Norma nessa temporada são espetacularmente bem feitas, sempre fazendo referência à outra personalidade na mente do jovem. Nos últimos episódios, os jogos com espelhos e vidros dão um ar ainda mais especial à doença, principalmente quando a mãe toma conta. Por mais instável que a série tenha sido ao longo de seus cinco anos, os episódios finais trazem tensão e um estranho conforto simultaneamente. É curioso como mesmo que tenha se baseado no filme original, o programa toma alguns rumos completamente diferentes, mas quase tudo funciona dentro do proposto. A nova morte no chuveiro, por exemplo, cabe perfeitamente nos moldes introduzidos, honrando a original sem copiá-la. Parte do problema da série é, no entanto, seus novos personagens. Dylan Massett (Max Thieriot), Alex Romero (Nestor Carbonell), Emma Decody (Olivia Cooke), entre outros, claramente servem para esticar a trama. Principalmente na última temporada, com tudo o que Norman enfrenta com sua doença e solidão, suas tramas parecem ainda mais desnecessárias. A única nova história que se salva é a de Madeleine Loomis (Isabelle McNally). Sua semelhança com Norma e a obsessão de Norman come ela deixam ainda mais evidente o elemento imaginativo da doença, causando confusão no jovem e introduzindo Sam Loomis (Austin Nichols) de uma forma diferente, dando ainda mais embasamento para as decisões tomadas pelos roteiristas. Bates Motel é uma boa atualização de um clássico, com novas reviravoltas surpreendentes apesar de manter o tom sóbrio da obra original. As excelentes performances de Freddie Highmore e Vera Farmiga entregam ainda mais credibilidade ao prelúdio, que homenageia o clássico de maneira sutil e velada. Norman e Norma Bates explicados com muito bom gosto. Bates Motel é uma série americana de 2013, exibida pelo canal A&E (no Brasil pela Universal Channel e, brevemente, pela Record) e que está atualmente em sua terceira temporada e já foi renovada para a quarta e a quinta. Foi criada por Carlton Cuse (Lost, The Returned, The Strain), Anthony Cipriano e Kerry Ehrin (Friday Night Lights). A série serve como uma espécie de prólogo para a história do filme Psicose, de 1960, dirigido por Alfred Hitchcock (Pássaros, Janela Indiscreta) e baseado no livro de Robert Bloch. Ela segue as vidas de Norman Bates (Freddie Highmore, de A Fantástica Fábrica de Chocolates) e sua mãe Norma (Vera Farmiga, de Invocação do Mal), que acabaram de se mudar para a cidade fictícia de White Pine Bay, no Oregon, para recomeçar suas vidas (Uma réplica do cenário original do Motel do filme original foi construída nas locações de filmagem da série). Cada temporada possui 10 episódios de aproximadamente 50 minutos cada. A série começa com Norman e Norma chegando na cidade, após comprarem um motel á beira da estrada, depois da morte trágica do pai de Norman. O garoto começa a frequentar o colégio e faz amizade com Bradley Martin (Nicola Peltz, de Transformers), saindo com ela para passear pela cidade, enquanto o antigo dono do motel resolve fazer uma visita para sua mãe Norma. As coisas saem do controle e mãe e filho acabam com um corpo para esconder (Não é spoiler, sério. Acontece tudo isso só no episódio piloto). Um pouco depois eles recebem a visita do Xerife Romero (Nestor Carbonell, da série Lost) e do Investigador Shelby (Mike Vogel da série Under the Dome), que parecem estar suspeitando de alguma coisa. Norma emprega Emma Decody (Olivia Cooke, de Ouija) no motel, colega de classe de Norman que possui Fibrose Cística (uma doença hereditária que não possui cura) e tem uma leve quedinha por ele. Conhecemos também Dylan Massett (Max Thieriot, de Operação Babá), meio-irmão de Norman, fruto de um (complicadíssimo) relacionamento anterior de Norma. Enquanto tentam se livrar desse problema inicial, Norman encontra um caderno com ilustrações de mulheres asiáticas amarradas e em posições eróticas, e nós descobrimos que as fontes de renda da cidade envolvem tráfico de drogas e de escravas sexuais. Além disso, descobrimos que ele tem apagões momentâneos, situações onde ele faz ou fala coisas e logo depois não consegue se lembrar. Esse é um ponto muito importante na trama. A segunda temporada, que foi ao ar em 2014, começa quatro meses depois dos acontecimentos da primeira. O motel está indo de vento em popa, porém a construção de um novo desvio na estrada fará com que a estrada onde o motel fica seja inutilizada quase que totalmente, deixando o motel basicamente isolado. O irmão de Norma, Caleb (Kenny Johnson, da série The Shield), reaparece, deixando Norma completamente descontrolada com as lembranças de seu misterioso e triste passado. Norman arruma uma namorada, Cody Brennan (Paloma Kwiatkowski, de Percy Jackson), uma menina rebelde e problemática, que toma conhecimento dos apagões de Norman e insiste para que ele converse com sua mãe e descubra o que acontece quando ele “apaga”. É nessa temporada que vemos melhor o negócio de drogas da cidade, que movimenta basicamente todo o lucro existente, e a guerra do poder que ela esconde. Dylan se encontra no olho do furacão, já que está trabalhando em um dos campos de cultivo de maconha, e acaba se envolvendo mais do que gostaria. Norman acaba sendo sequestrado, e durante o cativeiro se lembra de algo que fez enquanto estava tendo um de seus apagões. Mais para frente entendemos que, na verdade, todos os atos de Norman durante seus “blackouts” são justificados pela “presença” de Norma, que o encoraja e diz que assumirá toda a culpa por ele, e que todas as coisas que ele fez, foram o certo. Começamos então a entender a magnitude dos problemas mentais de Norman. A terceira temporada, se passa depois das férias de verão. Norman começa a estudar em casa, pois está tendo constantes alucinações, com sua saúde mental se deteriorando rapidamente. Norma se aproxima mais de seu outro filho Dylan, criando uma aliança com ele, já que os dois compartilham a preocupação com a sanidade de Norman. Isso faz com que Norman tenha crises de ciúme extremas, acusando os dois de esconderem coisas dele. Cada vez mais fica clara a necessidade de ajuda profissional, mas Norma continua se enganando; Uma hóspede do motel recebe vários tiros, e antes de morrer entrega a Norma um pendrive que possui importantes informações sobre pessoas importantes da cidade, e pede que ela faça justiça. Norma começa a ser perseguida por pessoas tentando reaver o pendrive, e tenta barganhar com elas, mas o tiro acaba saindo pela culatra. Temendo que algo aconteça com ela ou com seus filhos, ela pede a ajuda do Xerife Romero, que promete tomar conta dos problemas dela. Aos poucos ele vai percebendo que Norma parece estar se aproveitando da amizade deles para acobertar seus erros, sem oferecer nada em troca além de mentiras. A saúde de Emma está piorando cada vez mais, e seus pulmões irão em breve parar de funcionar. Sua única chance é fazer um transplante, e enquanto ela espera, decide que deve viver a vida de forma plena. Vemos muitos conflitos entre ela e seu pai, Will (interpretado na primeira temporada por Ian Hard, de Harry Potter e a Pedra Filosofal, e na terceira por Andrew Howard, de Doce Vingança), que teme pela sua saúde e sofre por não poder fazer a doação necessária para que sua filha passe para o começo da fila do transplante. Nos últimos episódios, vemos um Norman completamente transtornado, que decide fugir de sua casa e de sua mãe, mas no meio do caminho sofre mais um apagão e “assume” a personalidade de sua mãe, numa cena chocante e completamente inesperada. O Season Finale termina com a certeza de que a próxima temporada será muito mais sombria do que todas as anteriores. O figurino e a ambientação da série são bem interessantes. Nos primeiros minutos você tem a impressão de que está assistindo a uma série de época, devido aos vestidos rodados de Norma, as calças sociais de Norman, ao corte de cabelo dos dois, ao carro antigo e a casa e motel que eles compraram. Foi só quando apareceu um iPhone da tela que eu pensei “não, pera… como assim?”. Ao meu ver, foi uma forma muito boa de fazer uma ligação entre o filme original dos anos 60 e os tempos modernos, o que acaba deixando a série com uma sensação de que ela é atemporal. Mas não tem como falar em Bates Motel sem citar as magníficas atuações. São muitos atores de peso, mas com certeza os que se destacam são os dois principais: Vera Farmiga e Freddie Highmore. Vera é incrível, sempre gostei muito da atuação dela, mas não paro de me surpreender a cada cena que vejo. Principalmente nas dramáticas, onde quase dá pra sentir a dor que a personagem parece estar sentindo, ao se ver incapaz de resolver seus problemas. Já Freddie conseguiu com maestria abandonar seu status de ator mirim, mergulhando de cabeça no papel de Norman. As cenas onde Norman sofre apagões são bizarramente assustadoras, assim como seus sorrisos macabros. A expressão corporal dele, como se estivesse inseguro dentro de seu próprio corpo, e a expressão facial, demonstrando toda a confusão mental que existe dentro do personagem, são incríveis e só melhoram com o passar das temporadas (inclusive as semelhanças dele com o ator Anthony Perkins, o Norman Bates do filme original, são bem grandes. Imagino que Freddie tenha estudado bastante os seus trejeitos, para incorporá-los ao seu personagem). Bates Motel é uma daquelas séries que você não consegue parar de assistir. Fontes: Mundo Freak, UOl, Netflix
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