sexta-feira, 22 de setembro de 2017

"Gaga: Five Foot Two": Netflix divulga documentário de Lady Gaga

"Gaga: Five Foot Two" promete trazer uma nova visão da diva pop Lady Gaga aos fãs. Com um olhar vulnerável sobre os momentos cruciais da vida da Mommy Monster, os Little Monsters irão conhecer as dificuldades que a cantora já enfrentou em sua carreira até o momento. A cantora usou suas redes sociais para falar sobre o "Gaga: Five Foot Two", documentário que ficou disponível no Netflix. Horas antes de o documentário ir ao ar, a cantora compartilhou um texto falando sobre o projeto, sobre sua família e o motivo de ter escrito "Joanne". Na última semana, Gaga cancelou sua vinda ao Rock in Rio 2017 por estar sofrendo com as severas dores causadas pela fibromialgia, uma síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura. Entenda aqui o que é a doença. "Com ‘Gaga: Five Foot Two’, eu procurei testemunhar a mim mesma de uma maneira que eu fosse incapaz de me ver por conta própria. Senti orgulho, tristeza, empoderamento, vulnerabilidade... Mas o que mais me conquistou foi a autenticidade do filme, da maneira que Chris, o diretor, escolheu mostrar meus piores momentos e meus pontos mais altos, além da minha relação próxima com minha família que eu me agarrei com força enquanto escrevia meu álbum ‘Joanne”. Eu escrevi ‘Joanne’ para ajudar a entender minha dor física e psicológica através da minha história familiar, com a morte da minha tia em uma idade precoce em 1974 pela doença autoimune Lúpus. Eu escrevi pra me curar e encontrar força para passar por tudo, com a determinação que aprendi com minha família de imigrantes italianos", começou a cantora, que na última semana, elogiou Selena Gomez após a cantora passarm por um transplante de rim por causa da Lúpus. "Embora surreal, alegre e, também, difícil, eu fiquei muito tocada por o véu por trás da aura da minha ter revelado que a fama não é tão memorável quanto dizem. Ela é solitária, isola e é um grande desafio psicológico porque a fama muda a maneira como você vê as pessoas. Para mim, isso não é natural, mas complicado, porque eu sei que meu destino é ser uma artista. Mesmo assim, me sinto honrada pelo lado da fama que gera amor pelo mundo, pela voz que eu tenho recebido de meus fãs propagando mensagens de empoderamento e igualdade, pela vida afortunada que trouxe para mim e minha família e como podemos ajudar aqueles que precisam", seguiu Gaga. O documentário foi dirigido pelo cineasta Chris Moukarbel ("Banksy Does New York" e "Me at the Zoo") e oferece aos espectadores o acesso aos bastidores enquanto Lady Gaga passa tempo com seus amigos mais próximos e familiares, grava e lança seu álbum Joanne e lida com batalhas pessoais, no melhor estilo "cinema verité". Este retrato, produzido com exclusividade para o catálogo da Netflix, captura oito meses da vida da cantora, em que ela obtém êxitos profissionais e lida com dores físicas e emocionais. Há também alguns momentos cotidianos, como o batismo de um ente de família, a visita à sua avó e as cenas em que cozinha e brinca com seus cachorros em casa. O documentário também pode ajudar os fãs a entenderem um pouco sobre a vida da cantora - que, recentemente, cancelou sua participação no Rock in Rio 2017, por conta de uma crise de fibromialgia. Além de perceber a forma como essas experiência impactaram sua vida, fica evidente a forma como, em poucos anos, a diva de 1,57m (five foot two, de acordo com o sistema métrico americano) se tornou uma estrela amada por milhões de pessoas ao redor do mundo inteiro. "Eu vi o filme pela primeira vez com todo mundo no Teatro Princess os Wales, no Festival de Cinema de Toronto. Eu estou feliz por ter acreditado no processo criativo do diretor. Eu não poderia ser tão objetiva sobre mim mesma. Essa é a colaboração onde eu mergulhei totalmente às cegas porque eu acreditei em seu talento e ele acreditou no meu. Obrigada, Chris. Obrigada Bobby, meu empresário, Live Nation e Netflix. E obrigada, Little Monsters. Eu nem sempre dou ao mundo exatamente o que esperam de mim. Mas sem erro, sempre é o meu verdadeiro eu", finalizou a cantora. A carreira de Lady Gaga já foi analisada de todos os ângulos. Sua imagem, por vezes icônica e polêmica, já foi revirada do avesso por fanáticos e seguidores. Sua figura é, indiscutivelmente, uma das maiores representações da música do século XXI. Desde seu surgimento bombástico em 2008 com o hit “Just Dance”, Gaga foi colocada em um pedestal e tomada por semi-deusa, colocada na terra não apenas para representar o novo pop como também para ser uma voz das minorias, que consideram, por exemplo, “Born This Way”, um dos hinos da diversidade da nova geração. Desde então, a cantora se reinventou, e lançou, em 2016, o álbum Joanne, revelando uma imagem mais simples e experimentação com outros estilos. Com o cancelamento recente de suas turnês e a revelação de sua doença, fibromialgia, Gaga se expôs, talvez pela primeira vez, como uma figura frágil. O seu novo documentário, Gaga: Five Foot Two, explora exatamente isto. Trazendo registros íntimos de sua vida pessoal e profissional, o filme acompanha a gravação de Joanne durante o ano de 2015 até o seu histórico show no intervalo do Super Bowl, em Fevereiro de 2016. O documentário, como obra cinematográfica, não é um destaque. Algumas cenas podem deixar o espectador comum, que não é um fã da cantora, entediado. A escolha de alguns momentos registrados também é duvidosa, como as filmagens do American Horror Story, que não adicionam muito à trama. Mas a qualidade do documentário está em sua capacidade de descascar aos poucos a personalidade de Gaga e retratar a luta de uma figura icônica em se desprender das expectativas alheias e revelar uma identidade genuína. Stefani Germanotta, a Gaga, alterna humores e estados de espírito durante todo o documentário. No início, enquanto ainda gravava Joanne ao lado do produtor Mark Ronson, se mostra feliz e livre das correntes de sua própria imagem. Por vezes, no início do filme, vemos Gaga se auto afirmando como uma nova mulher, que não tem mais medos ou “as inseguranças de antes”. As declarações, no entanto, vêm em contradição a muito do que vemos no documentário, como se o filme fosse desconstruído Gaga em camadas, que aos poucos revelam a pessoa que realmente é. A cantora descreve o lendário produtor Mark Ronson, que acompanhou toda a gravação de Joanne, como um dos únicos homens em quem realmente confia. A relevância crescente da questão do gênero atual, aliás, é entendida como um dos motivos pelos quais ela se sente mais confiante hoje. Ela compara Ronson aos outros homens com quem já trabalhou, descrevendo que ele é o único que não a faz se sentir menor: “Você trabalha com muitos produtores que eventualmente te dizem ‘você não é nada sem mim’. Oito em cada dez vezes eu fui colocada nesta categoria’”. Five Foot Two acompanha Gaga em viagens e shows, e retrata a cantora lidando com sua recém-revelada doença. Vemos sua imagem fragilizada, deitada, aos prantos, e recebendo diversos tratamentos. Em um dos momentos mais tocantes do filme, pouco antes do show no aniversário de 90 anos de Tony Bennett, Gaga reflete: “Fico pensando em pessoas que passam por isso e não tem o dinheiro para receber o tratamento que eu recebo. Se eu não tivesse condições, eu não sei o que eu faria”. Mas a batalha principal de Gaga não é a fibromialgia. Quando finaliza a gravação e produção do álbum, a cantora cai no choro ao ver seu produtor sair da sala. Ela se sente sozinha. A partir deste momento até o fim do filme, a artista sofre com a escolha entre querer mostrar ao mundo sua pessoa verdadeira e atender as expectativas de sua legião de fãs. Pouco antes do início da gravação do clipe “Perfect Illusion”, quando estreou a imagem despida de extravagâncias, Gaga se encontra em conflito: “Será que as pessoas vão ficar desapontadas com a falta de perucas?”. Em outro momento emocionante do documentário, a artista é acompanhada enquanto sai do estúdio para cumprimentar seus fãs. Com diversos flashbacks, o filme mostra imagens da Gaga do passado, com figurinos bizarros, perucas e muita maquiagem, recebendo seus adoradores. A comparação é o momento mais significante do documentário, que evidencia a nova imagem e hesitação em aparecer despida de adereços. Joanne foi lançado e descrito por Gaga como o seu álbum mais pessoal. Buscando divulgar o trabalho com uma verdadeira declaração de si mesma, a cantora revela que esta é quem sempre foi: “O mundo não estava pronto porque eu não estava pronta para ser eu mesma”. Ela enfatiza: “Hoje eu não preciso de perucas para me afirmar”. Contradizendo tudo que defendeu até então, ao fim do documentário Gaga descreve o show no Super Bowl como o ponto mais alto que um músico pode chegar. O filme termina com o espetáculo no intervalo da NFL e Gaga absolutamente segura de si, com um show de luzes, voos, dançarinos e um espetáculo grandioso. Tudo que a cantora havia dito que não era mais seu foco. Do modo que o documentário registra, o show no Super Bowl pode ser entendido como a despedida final da Gaga que conhecemos desde 2008. Apropriadamente, a apresentação foi um resumo de sua carreira até então, e ela sabe fazer um show como ninguém. Se continuar no caminho que diz estar durante todas as confidências que fez à câmera, é de se esperar que o momento tenha sido o fechamento de uma era, não apenas para Gaga, mas para a música em si. Mas isto, só o futuro dirá. A ideia geral de Gaga: Five Foot Two é mostrar que Gaga existe além das aparências. Seu título, em referência a pequena estatura da artista (que tem menos de 1,60m de altura), é a essência do que o documentário pretende evidenciar: a altura não é nada para uma artista que pode, literalmente, sobrevoar um estádio e ultrapassar limites. Sua verdadeira batalha, porém, é para se tornar uma artista mais genuína, e ela definitivamente comprou essa briga. Até lá, enquanto ela vence suas inseguranças, outras versões de Gaga ainda devem aparecer pelo caminho.
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