sábado, 14 de janeiro de 2017

Há 5 motivos para ver "Assassin's Creed" e todos atendem por "Michael Fassbender"

A maldição de filmes baseados em games persiste em 2017. "Assassin's Creed", em cartaz nos cinemas, é mais uma adaptação que está naufragando nas críticas e demorou para engatar nas bilheterias. A trama mal desenvolvida, o bom elenco subaproveitado e as cenas de ação confusas, que deveriam ser o grande trunfo do filme, decepcionaram alguns e agradaram outros. Assassin's Creed é o tipo de game que nasceu para chegar aos cinemas. A iniciativa partiu da Ubisoft e chegou a Michael Fassbender, astro de Hollywood que, além de protagonizar, produz o primeiro filme da franquia. Ao lado dele, na cadeira de diretor, está Justin Kurzel, com quem trabalhou junto no mais novo MacBeth. A parceria novamente dá certo e consegue finalmente adaptar um game para a telona com dignidade. A receita para esse sucesso, tão almejado por séries como Tomb Raider, Warcraft e outros, foi o mínimo de reverência possível aos jogos. O roteiro de Michael Lesslie, Adam Cooper e Bill Collage suga da franquia conceitos básicos para entender o que faz dela um sucesso. Entre eles, o embate entre assassinos e templários, o funcionamento do Animus e o poder da Maçã do Éden. Nem todos são desenvolvidos de forma correta, mas cumprem o papel de situar o espectador em um novo mundo. A história também segue essa mistura de respeito e desrespeito à série, como o próprio Fassbender gosta de dizer. Callum Lynch é um sujeito condenado à morte que se vê nas mãos de uma grande empresa, a Abstergo, servindo como um rato de laboratório para experiências. Ele é colocado dentro de uma máquina do tempo genética, o Animus, onde poderá reviver a trajetória de seus antepassados e descobrir o poder da Maçã do Éden, um artefato que esconde segredos sobre a criação da humanidade. No meio dessa trama, o filme tenta incluir dilemas sobre violência e livre-arbítrio. E assim como os games, nenhum deles convence. O discurso repetido dos personagens de Marion Cottilard e Jeremy Irons sobre os perigos da liberdade não funcionam como o motor da história, que só avança de verdade quando mergulha da vida de Callum e Aguilar, o assassino vivido por Michael Fassbender. De todos os conceitos apresentados pelo longa, o único que vinga é do Credo dos Assassinos, que vivem para proteger o livre-arbítrio da humanidade - o que no fim das contas torna a aventura envolvente. Muito deste acerto vem das soluções visuais de Kurzel, que se distancia dos games sempre que o ambiente lhe permite. O Animus, por exemplo, não lembra em nada a cadeira criada pela Ubisoft. Aqui a máquina de regressão genética é um braço mecânico misturado com realidade virtual, que permite tanto o experimento quanto o cientista assistir à viagem no tempo. Misturando cenas de época com sequências dentro do laboratório, Kurzel prende o espectador ao aprendizado de Callum e ao mesmo tempo torna os movimentos e as habilidades de Aguilar em algo fantástico. Apesar do roteiro errar nas explicações exageradas sobre templários e a Maçã, na hora de apresentar os assassinos e construir a personalidade deles tudo se encaixa. O diretor elimina quase todas as falas e deixa a imagem montar o caráter de cada um dos personagens. Com tomadas aéreas belíssimas, Kurzel monta um ambiente com cara de sonho, com quadros embaçados e movimentos rápidos. As lutas, que têm um ritmo lento mas que valorizam os golpes, lembram os games e impressionam pela brutalidade sem violência - os socos são pesados, as quedas são tensas, mas sem muito sangue. Assassin's Creed é um bom filme, independente se é uma adaptação ou não. Justin Kurzel e Michael Fassbender encontraram o equilíbrio entre reverência e liberdade à série, o que faz os personagens e o ambiente ter vida própria. Não existe fan service desnecessário ou frases sem sentido para criar identificação. O traço visual dado pelo diretor é digno da grandeza da franquia da Ubisoft e torna a experiência tão boa quanto a de alguns jogos. Finalmente os fãs de games têm alo para se orgulhar. Dos pouco mais de dez filmes que estrearam neste 2017, este é o pior do ano até agora em termos de crítica --talvez melhor só que o terror "Dominação", com Aaron Eckhart. Mas há pelo menos cinco bons motivos para largar o Netflix e correr até uma sala de cinema para assistir "Assassin's Creed". E todos eles têm a ver com o protagonista: Michael Fassbender. 1- Ele é pau para toda obra. Chamou a atenção em um filme mais cabeça, "Hunger" (2008), sobre uma greve de fome em um presídio. Depois foi trabalhar para Quentin Tarantino em "Bastardos Inglórios" (2009) e, mais tarde, no denso "Macbeth" (2015). Mas ele também sabe ser Magneto na saga "X-Men" e até Steve Jobs. Nem comédia falta nesse currículo maravilhoso: Fassbender usa uma cabeça de papel gigante no excêntrico "Frank" (2014). 2- Ele já recebeu indicações ao Oscar (duas vezes), ao Bafta (três) e ao Globo de Ouro (três). Ainda não levou nenhuma estatueta, é verdade, mas o importante é competir. Leonardo DiCaprio está aí para provar que uma hora vai. 3- Fassbender não ter levado nenhuma estatueta nas principais premiações (Oscar, Globo de Ouro, Bafta) deve ser puro recalque, porque já são mais de 50 prêmios recebidos das mãos de críticos e sindicatos por seus mais de 30 trabalhos no cinema. 4- Tom Hardy fez escola de teatro com Fassbender e contou que o ruivo tinha mania de "permanecer no personagem". No intervalo de um dos ensaios, Fassbender apareceu na cantina, em uma cadeira de rodas, porque seu personagem era deficiente. Isso que é comprometimento, não é? 5- Talvez tenha passado batido, mas, para quem não notou, vai um alerta: Fassbender também é bonito. Além de nos presentear em todos os trabalhos com seus olhos azuis, cabelos e barbas ruivas, ele também pode exibir toda a sua exuberância. Ele aparece completamente nu em "Shame" (2011) e em "Hunger", mas também mostra seus músculos definidos em "Assassin's Creed". No último caso, as cenas sem camisa parecem meio gratuitas na trama, mas quem se importa, não é mesmo?
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