segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Carrie Fisher: 5 razões para entender por que a Princesa Leia é um ícone pop

Leia Organa, filha de Darth Vader, irmã de Luke Skywalker, mãe de Kylo Ren, princesa do planeta Alderaan, membro do Senado Imperial, espiã da Aliança Rebelde e general da Resistência. A mítica personagem da saga Guerra nas Estrelas , interpretada por Carrie Fisher - que morreu na terça-feira aos 60 anos - é um ícone do cinema mundial. Já no primeiro filme da série, Guerra nas Estrelas , de 1977, Carrie Fisher, então com 19 anos, marcava as telas - e o imaginário de toda uma geração - como a princesa guerreira com seus penteados exóticos e um comportamento que rompia com os padrões das princesas do cinema da época. Também ficou na memória a cena em que a atriz usa um biquíni metálico, característico da cultura pop do fim dos anos 70 e início dos 80. Todd Fisher, irmão de Carrie Fisher e filho de Debbie Reynolds, conversou com o programa de TV 20/20 sobre a relação entre as duas e os últimos momentos que dividiu com elas. Veja revelações feitas por Fisher na entrevista: Nos últimos anos de vida, Carrie e Debbie moravam uma ao lado da outra. Debbie comprou a casa ao lado da filha e as duas dividiam uma garagem. “Foi algo natural, ela simplesmente se mudou. Ela gostava de estar perto de Billie [Lourd, filha de Carrie e neta de Debbie]”, comentou Todd. Nos últimos momentos de vida, Carrie teve a família ao seu redor. Havia esperanças de que ela sobreviveria ao infarto, mas segundo Todd, Debbie Reynolds sabia que a filha não ia aguentar. “Ela sentia que Carrie já não estava mais ali”. “Minha mãe disse que não queria ir ao funeral de Carrie, que queria estar com ela. Menos de 30 minutos depois, ela morreu bem na minha frente”, contou ainda. Nas últimas semanas de vida, Carrie estava “no topo de seu jogo”, segundo o irmão. Ela estava promovendo projetos pela Europa e estava animada para o Natal. “Ela amava dar presentes, e achava as coisas mais incríveis para todo mundo”, disse. Todd Fisher ainda disse que a morte de Debbie Reynolds logo após a da filha foi uma “intervenção divina”. “Ele viu que Carrie não era fácil, e chamou minha mãe para ‘dar uma mãozinha'”, brincou. Mãe e filha passaram anos sem se falar, segundo Todd, mas por iniciativa de Carrie. “Minha mãe jamais se afastaria de Carrie de propósito”, comentou. As duas serão enterradas lado a lado, junto a dois amigos da família: a atriz Bette Davis e o pianista Liberace. Veja abaixo cinco motivos que explicam por que o personagem conquistou o status de ícone pop. 1- A princesa general No primeiro filme da saga Guerra nas Estrelas , antes de ser capturada por Darth Vader, Leia esconde os planos da "Estrela da Morte" no robô R2-D2. Assim começa a aventura em que os rebeldes tentarão destruir a poderosa arma que pode acabar com planetas inteiros. Da primeira à última participação, Leia não se comporta como a princesa que espera ser resgatada. Ao contrário. Seu papel era ativo, com autonomia e sentido político. Ao saber da morte de Fisher, o criador de Guerra nas Estrelas , George Lucas, disse que a Leia de Fisher era uma "princesa poderosa, lutadora, sábia e cheia de esperança". "Era um papel mais difícil de interpretar do que a maioria das pessoas pode imaginar", disse Lucas. Na década de 1970 era difícil encontrar heroínas nos filmes de Hollywood. Em uma entrevista ao programa Nationwide da BBC, em 1977, Carrie Fisher disse: "Lucas não queria mais um estereótipo de princesa, alguém assustada, esperando por socorro". "Ele queria uma guerreira, uma princesa independente". Além disso, o cabelo preso e os vestidos longos contrastavam com a maior parte dos ícones femininos da ficção científica que - na época e ainda hoje - geralmente usam os cabelos longos e soltos, roupas diminutas e justas. Em Star Wars: O Despertar da Força , sétimo episódio da saga, Leia já não usa o título de princesa e quase todos a chamam pela sua patente de general da Resistência. 2- O penteado Todo ícone do cinema deve ter elementos inconfundíveis: o penteado da Princesa Leia é um destes. Ninguém achou os coques laterais ridículos. Na verdade, os fãs adoraram o cabelo de Carrie Fisher. O penteado tem sido imitado pelos fãs da saga nas pré-estreias dos filmes em todo o mundo. Leia usou diferentes penteados na série de filmes, mas o mais emblemático ainda são os coques que cobrem as orelhas. 3- "Te amo" / "Eu sei" A relação de indiferença/amor entre a Princesa Leia e o ex-contrabandista Han Solo, interpretado por Harrison Ford, é uma das tramas paralelas da saga Guerra nas Estrelas . Entre encontros e desencontros, há um diálogo que os eternizou como casal durante toda a série de filmes. Em O Império contra-ataca , Han Solo está a prestes a ser congelado em carbonita, quando Leia diz: "Te amo". "Eu sei", responde ele antes de, em seguida, ser congelado. Diz a lenda que Harrison Ford argumentou que um ex-contrabandista como Han Solo jamais responderia com um "eu também te amo". E assim o ator conseguiu mudar a resposta à Princesa Leia para um simples "eu sei". Mas o auge do romance entre os personagens acontece no filme seguinte: O Retorno de Jedi. Com o destino da galáxia definido, desta vez é Han Solo que declara seu amor. Leia paga na mesma moeda e responde: "Eu sei". 4- O biquíni metálico Há um momento em que Leia aparece bem diferente da princesa que usa vestidos longos e largos nas cenas de ação. É em O Retorno de Jedi , de 1983. Trata-se do famoso biquíni metálico que Leia - presa a uma coleira - usa quando aparece como prisioneira de Jabba, um alienígena que tem a forma de um grande verme gordo. O reluzente biquíni, bastante sexy - diga-se -, rapidamente se tornou mais uma das imagens icônicas da Princesa Leia, embora tenha aparecido em apenas duas cenas. O biquíni foi copiado em dezenas de séries de TV e até hoje reaparece com as fãs em convenções sobre Guerra nas Estrelas e ficção científica. Ainda hoje é possível comprar o biquíni metálico de Leia pela internet. Mas muita gente critica a cena em que Leia aparece presa e de biquíni por considerá-la sexista. No ano de estreia do filme, Carrie Fisher disse que interpretava uma Leia "mais feminina, mais solidária e mais carinhosa" e que o uso do buquíni seria uma maneira de mostrar isso. No entanto, nos últimos anos a atriz rejeitou as cenas com o traje e sugeriu às futuras atrizes que não cedessem à pressão para usar roupas curtas e justas. 5- O culto a 'Guerra nas Estrelas' Finalmente, é importante lembrar que Leia Organa é um personagem que se beneficiou do grande culto criado em torno de tudo o que se relaciona com a saga Guerra nas Estrelas . A série de filmes atrai fãs e colecionadores em todo o mundo - há até quem siga a "religião" Jedi - e faturou milhões de dólares de bilheteria. Todas estas características confirmam que a filha de Darth Vader, irmã de Luke Skywalker, espiã da Aliança Rebelde e general da Resistência, foi uma personagem com lugar de destaque na cultura pop das últimas quatro décadas. Há um programa televisivo americano em que põem carvão e lume logo no título, Comedy Central Roasted. A ideia é colocar o convidado, sempre uma personalidade, no assador. Nada é poupado e os seus vícios e maleitas são o assunto preferido. Carrie Fisher foi lá há quatro anos e ouviu um dos seus amigos dizer que ela era a única celebridade cujo action figure (o boneco que ilustra um personagem de ação, como o Batman ou o Super-Homem) era pior do que ela própria. Deve ter sido dos mais suaves insultos acontecido na Comedy Central Roasted. E, de facto, a Princesa Leia, tão chorada pela multidão de fãs saudosos da sua própria mocidade, é uma figura apagada comparada com a extraordinária pessoa que foi Carrie Fisher. É preciso ser um sapo extraterrestre como Jabba the Hutt para se extasiar pela delambida princesa com o seu biquíni metálico dourado. Até Harrison Ford gostava mais de Carrie do que o Han Solo da princesa - pelo menos as cenas foram mais escaldantes nos motéis, no intervalo das filmagens, do que durante as viagens espaciais a caminho de uma qualquer Guerra das Estrelas. Não estou a cuscar, cito a autobiografia de Carrie Fisher. A primeira vez que vi uma foto dela, ela não estava lá. No relvado fronteiro de uma casa californiana, uma bela loura, daquelas louras só lindas, não provocante como Lana Turner e Kim Novak. Sei o ano, 1959, o meu pai tinha acabado de comprar um Chevy Bel-Air, o que me deu para me interessar pelas coisas californianas como louras e relvados. Esta loura posava com um alfinete de bebé na blusa, que remetia para o não visto: lá dentro, na casa, estava Carrie, 3 anos, e o irmão, o bebé Todd. Todd porque o melhor amigo dos pais era Mike Todd, produtor de cinema (já adivinharam, o cenário é Hollywood), que morrera há pouco em desastre de aviação. Debbie Reynolds e Eddie Fisher decidiram guardar o nome do amigo, e Eddie foi mais longe na homenagem: mudou-se para a casa da viúva, Liz Taylor, para a consolar. Tem graça como a autobiografia de Carrie veio confirmar-me a foto. Ela, que me nascera ali, no lado obscuro daquela foto, fora parida também assim. Ela descreve os médicos na sala de parto, à volta da mãe: "Oh, olhem a Debbie Reynolds a dormir, como é bonita." E as enfermeiras, olhando pai: "Oh, olhem Eddie Fisher, o crooner..." Resultado, quando Carrie nasceu ninguém estava à espera dela. Na segunda metade dos anos 50, os pais eram o casal da América, Debbie, a atriz e dançarina à chuva, ele o cantor com mais vendas. Some-se a isso o escândalo do divórcio e fica uma infância negada.
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