terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Olin Batista, o DJ: "Ter uma carreira é duas vezes mais difícil para mim"

Dinheiro e bons contatos nunca foram uma questão para o DJ Olin Batista, 21, herdeiro do empresário Eike Batista. O que não significa que sua carreira na competitiva cena da música eletrônica esteja resolvida. "Construir uma carreira para mim é duas vezes mais difícil do que para uma pessoa desconhecida. Eu sei disso e aceito. Faz parte do jogo”, contemporiza ao UOL Olin, que toca desde os 15 anos e acaba de lançar o remix de "All In", do renomado DJ francês Norman Doray. Ele está celebrando 2016 como um reinício de trajetória, após dois anos enfurnado em estúdios internacionais, onde começou a desenvolver habilidades de produtor. E, agora, quer conhecer a fundo o ofício para chegar ao nível de brasileiros como Alok, Vintage Culture e e Felguk, listados entre os cem melhores do mundo pela canônica revista "DJ Mag". Ou, quem sabe, ir além. E pelos próprios méritos. "Não foi muito fácil no início, todo mundo achava que havia me tornado DJ apenas por causa dos meus pais e não pelo meu talento e dedicação", diz Olin, que aprendeu desde cedo a lidar com comentários sarcásticos e com a pressão do pai para virar empresário. "Se eu optar por permanecer apenas nos negócios, quero fazer algo que possa tornar o mundo um lugar melhor. Não é só por dinheiro." UOL - Você tem apoio e sobrenome famoso. O que isso ajuda e o que atrapalha? Olin Batista - Eu tenho sérios problemas de confiança. Posso dizer que não confio em ninguém, por conta da vida que tenho. A vida me ensinou a ser assim. Temos um longo histórico com pessoas de má influência. Acho que todos nós temos. O ser humano é ganancioso e a maioria das pessoas só pensa em dinheiro e fama em primeiro lugar. É triste, mas é verdade. Não foi muito fácil no início da minha carreira, todo mundo achava que eu havia me tornado DJ apenas por causa dos meus pais e não pelo meu talento e dedicação. Mas, graças a Deus, depois começaram a perceber que tenho talento e que eu amo o que faço. Aí tudo mudou. Como lida com esses comentários sobre sua origem? Eu estou aqui por causa dos meus pais, duas pessoas maravilhosas. Levando esta questão a sério: tenho que lidar com isso, mas só aqui no Brasil. Fora, ninguém sabe o meu nome e eles me julgam só por causa do meu trabalho, da minha música. A cada dia recebo mais mensagens positivas sobre o som e isso me motiva demais, saber que as pessoas gostam do que eu faço. Quando comecei de novo em 2016, eu e minha equipe já prevíamos essas críticas e negativismo das pessoas. Mas não me importo com isso. Até entendo. Você passou por um período de reciclagem no exterior, e, de início, seus pais não entenderam muito bem. Como isso aconteceu e o que exatamente você fez nesse período? Com o passar dos anos, a música eletrônica tornou-se algo tão grandioso que senti que precisava me desenvolver para alcançar outro nível, dar algo a mais para as pessoas. Em 2013, comecei a aprender a produzir música, mas ainda não estava no nível de qualidade para se destacar no mercado internacional. Em agosto de 2014, fui apresentado a Viktor Franko, que se tornou meu manager mais tarde. Começamos a nos conhecer melhor e ele me sugeriu parar de fazer turnês e voltar com um perfil completamente novo, que estivesse inserido na cena internacional também. Ele me incentivou a ir para o estúdio diariamente e melhorar minhas habilidades de produção. Trabalhei duro, passei milhões de horas em estúdio e foi muito difícil, porque eu queria compartilhar um monte de coisa com as pessoas, através das redes sociais, mas não era o momento. Eike Batista já disse que gostaria que você também tomasse gosto pelos negócios. Pensa em manter paralelamente as carreiras de músico e homem de negócios no futuro? Sim, com certeza. Eu estou sempre ligado no que acontece, quais são as novas tendências, tento me manter sempre bem informado. Se eu optar por permanecer apenas nos negócios, ao invés da música, que é bem mais difícil pela concorrência e tudo mais, eu quero fazer algo que possa tornar o mundo um lugar melhor, não é só por dinheiro. Eu converso muito com o meu empresário, Viktor, que também um amigo, e temos uma ideia por onde começar. Meu foco na música é 100% no momento, mas não descarto um dia me aventurar no mundo dos negócios. A porta do meu pai está aberta, ele sempre me fala que, quando eu quiser, ele estará pronto para me ensinar. Eu o admiro demais. Ele é um gênio e vai provar isso de novo muito em breve. Então, fiquem atentos. A cena eletrônica brasileira tem crescido muito. O que ainda precisamos aprender com os DJs estrangeiros? Acho que todos temos que continuar aprendendo a saber lidar com cada público. Cada cidade é de um jeito, cada pessoa é diferente. Então, você tem que saber como lidar com essa diversidade. Fazer boa música, agradar diferentes gostos, culturas. Estou aprendendo e criando gradativamente uma base forte neste cenário para me manter e continuar fazendo um bom trabalho. O EDM parece estar dominando o mundo. Qual é o segredo desse estilo? EDM é o novo pop, com certeza está dominando. Foi uma longa jornada para este tipo de música. Um dos segredos da música eletrônica é que não existe regra. Você pode fazer tudo. Você pode usar sons que ninguém usou antes e pode criar algo incrível e original. As pessoas gostam de coisas novas. Esse, no meu ponto de vista, é um dos segredos da EDM. Planos para 2017? Posso dizer que em 2016 eu consegui realizar 90% dos meus planos. Então, acho que estou no caminho certo. Já estou ansioso por 2017. Vou lançar música boa com bons selos, vou começar meu podcast mensal chamado "Spirit Of Sound" e vamos trabalhar também com a agenda de shows, quero tocar no mundo todo. Vem, 2017. Estou pronto para você e muito animado. Via Leonardo Rodrigues Do UOL, em São Paulo
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