segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Ray of Light, disco mais eletrônico da Madonna, faz 18 anos

2016 é o ano de Madonna, a popstar é a terceira artista mais bem paga do ano, fase Rebel Heart. 2013, o ano em que Madonna é a artista mais bem paga do ano, fase MDNA. 2008 e a cantora Madonna é a artista mais bem paga e a turnê Sticky and Sweet, do álbum Hard Candy, é a maior arrecadação para um artista solo de todos os tempos. Esta minicronologia é para evitar que alguém venha com o papinho de que Madonna já era. Num retrospecto de toda a sua carreira, os recordes e as vendagens de Madonna fazem dela a maior artista feminina e artista solo da história do pop. Então todo o respeito é pouco, ainda mais pra falar de uma de suas obras-primas, Ray Of Light, que chegou à maioridade em 2016. O ano era 1998. Nossa diva vinha de um período difícil, em que havia um forte sentimento anti- Madonna no ar, que teve início no fim dos anos 80, quando ela entrou numa fase de erotização extrema. Da imagem de bombshell do início de sua carreira à de dominatrix iniciada com o single Express Yourself, do álbum Like a Prayer, radicalizada no hit Justify My Love (um trip hop, faixa integrante da coletânea mais vendida da história, Imacullate Collection, de 1989), Madonna provocou a ira dos conservadores. Some-se a essa fase a turnê Blond Ambition (1990) e a famosa cena de masturbação em Like a Virgin. Apologia ao homossexualidade, atitude herética (segundo a Igreja) e muita sensualidade quase levaram Madonna a ser excomungada pelo papa João Paulo II. Não conformada – nem preocupada – Madonna anuncia seus projetos mais ambiciosos: o álbum Erotica (de 1992, com dance music e hip hop de primeira) e o livro Sex (também de 1992). Nessa época, não havia uma fantasia sexual dela que fosse secreta, pois ela mostrou tudo no livro e no clipe de Erotica. O impacto foi imenso, as vendas foram ótimas (só o livro vendeu 500 mil cópias, uma delas está aqui em casa). Mas sua imagem havia saído de seu controle. “Vaconna” virou seu apelido oficial. Tudo o que pudesse fazer pra chocar, Madonna fazia. Desde namorar um ator pornô (Tony Ward), uma atriz (Ingrid Casares) até entregar uma calcinha, que ela havia acabado de tirar, para dar, ao vivo, a David Letterman em seu talk show. Não havia limites para Madonna. Mas para parte do público a coisa havia passado dos limites. Surgiram então várias campanhas contra ela, Madonnagonna foi a mais famosa. E parecia que ia dar certo. Em 94, Madonna tenta reverter a situação lançando Bedtime Stories, um álbum voltado para o r’n’b e mais romântico. Bem recebido por critica e público, o hit Secret chegou ao topo das paradas em vários países. Mas havia no disco uma faixa que mostrava que ela não se arrependia de nada, e todo o seu esforço por uma nova imagem foi por água abaixo. Human Nature, quarto single do álbum, com um clipe fabuloso no qual Madonna debochava da moral reinante e assumia: “I’m not sorry, it’s human nature”. Nessa entressafra e disposta a valorizar sua arte, mais do que seu marketing, Madonna lança Something to Remenber em 1996, uma coletânea de suas melhores baladas, que continha três faixas inéditas: uma parceria com Massive Attack (I Want You, escrita por Marvin Gaye) e o megahit mundial You’ll See. Dramática, pela primeira vez Madonna parecia pedir algo a todos. Como dizia uma das faixas inéditas desse álbum, One More Chance. O ano de 96 ainda trouxe duas novidades que faziam parte de sua busca por mais credibilidade e paz, já que ela tinha virado alvo preferido de humoristas e jornalistas reacionários. Nasce em outubro daquele ano sua primeira filha, Lourdes Maria, e Madonna é escolhida por Oliver Stone para ser Evita Peron na versão para o cinema do famoso musical – sonho que ela nutria mesmo antes da fama. Se houve uma fase dramática em sua vida e sua arte, foi essa. Premiada com o Globo de Ouro por sua atuação como Evita, Madonna tira seu primeiro longo período de pausa na carreira. Voltou a morar com a família em Detroit para cuidar de Lola e começou a elaborar seu novo projeto, Ray Of Light. Todo este prólogo foi para situar o momento que Madonna vivia e por que Ray of Light é tão importante, para ela e para os fãs, em todos os sentidos. O nascimento de Lola, segundo Madgie, a fez refletir sobre a vida e espiritualidade, sobre o que realmente importa na vida. Uma de suas primeiras atitudes foi se desculpar com todos os artistas de que havia debochado em entrevistas anteriores, de Celine Dion e Mariah Carey a Janet Jackson, a lista era grande. Ray Of Light é o sétimo álbum de Madonna, resultado desse momento introspectivo da cantora. Inicialmente seria produzido por Babyface (do seu maior hit na carreira, Take a Bow, seis semanas no primeiro lugar da Billboard, faixa de Bedtime Stories), e por seu parceiro desde True Blue, Patrick Leonard. Mas, graças a seu empresário, quem dominou a produção foi William Orbit, mestre do trip hop e produtor de outros clássicos, como o disco 13, do Blur. O som era uma mistura de pop e música eletrônica, de uma forma completamente diferente de tudo o que Madonna já havia feito. Em todo o disco, traços de techno, trip hop. drum’n’bass, trance, ambient, rock, soft rock e música indiana e até clássica. Graças às aulas de canto lírico, que ela teve para cantar as faixas de Evita, sua voz aparece com um tom mais cheio e maior amplitude. Madonna passa a priorizar sua espiritualidade, graças aos seus estudos de cabala, hinduísmo, yoga e budismo e isso se reflete nas letras, como Frozen, Ray Of Light, Sky Fits Heaven e o mantra hindu Shanti/ Ashtangi. O álbum veio com 13 faixas, por causa do poder dado ao número 13, segundo os cabalistas. Além da calorosa acolhida pela imprensa, que reconheceu seu esforço em inovar, o álbum recebeu quatro prêmios Grammy em 1999, e foi primeiro lugar em 17 países, com um total de 20 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. A faixa-título foi escolhida clipe do ano no VMAs de 1998 e cinco faixas foram singles. Além de Frozen e Ray Of Light, hits mundiais, saíram Nothing Really Matters, Power of Goodbye, Substitute of Love. Esse álbum foi certamente o primeiro grande responsável por introduzir a música eletrônica ao mainstream. Alguns fatos curiosos ocorreram durante a gravação. Quando registrava os vocais de Swin, o estilista Gianni Versace, seu amigo, foi assassinado em Miami e isso deixou a faixa mais intensa. A capa, maravilhosa, foi feita pelo fotógrafo Mario Testino, e traz uma Madonna vestida, sóbria e linda. Frozen, uma canção midtempo com elementos de trip hop e música clássica, foi número 1 em vários países, uma surpresa para todos, fãs e haters, em especial pelo clipe de clima gótico,onde Madgie aparecia trajando um vestido longo preto, criado por seu parceiro de longa data, Jean Paul Gaultier, e que deixava à mostra apenas o rosto e as mãos da cantora, que surge morena. Dirigido por Chris Cunningham, o clipe revela uma Madonna espiritualizada e sem a imagem sexy, que sempre foi sua marca. Esse clipe também detonou algumas modas que invadiram o mundo; as tatuagens de henna, de inspiração hindu foi a maior delas. Madonna também lançou modas não relacionadas ao mundo fashion. A yoga alcançou um nível de popularidade jamais visto antes e o mesmo ocorreu com a cabala, que saiu do anonimato para conversas de boteco. O filme Paciente Inglês e a cultura árabe e hindu também foram grandes inspirações para Madonna. Em 2005 , ela foi acusada de plagiar um artista belga, acusação que foi arquivada definitivamente a favor de Madonna, por não haver indícios do tal plágio. Ray of Light foi o segundo single e mantinha a carga espiritualizada nas letras e o teor eletrônico ficava mais evidente no som. Inspirada por Supheryn, de Curtis Maldoon, lançada nos anos 70, e retrabalhada por sua sobrinha Christine Leach. A faixa ganhou elementos de techno, disco, rock e é um de seus maiores hits de todos os tempos, em vários países e consolidou a nova fase. Venceu VMA’s de 1999, como clipe do ano, além de quatro Grammys técnicos, perdendo o Grammy de gravação do ano para My Heart Will Go On, de Celine Dion. Oi? O clipe foi dirigido por Jonas Akerlund, que despertou o interesse de Madonna por causa do clipe de Smack My Bitch Up, do Prodigy. No vídeo, Madonna aparece dançando de forma livre, sem coreôs e, ao fundo, imagens em alta velocidade mostram o dia a dia de uma pessoa, como no filme Koyaanisqatsi, hit do cinema cult dos anos 80. O visual mantém a pegada desapego fashion, jeans, jaqueta e top, cabelo levemente desgrenhado, nada de glamour como antes. A grande polêmica aconteceu na sua apresentação no VMA’s ao lado de Lenny Krawitz, onde ela surge como uma sacerdotisa hindu, executando a dança de Shiva, fazendo com que membros de associações de religiões hindus protestassem. E ela, sempre com resposta na ponta da língua, desafiou: “Se são tão puristas, por que assistem o VMA’s?”. Essa é Madonna. Drowned World/Substitute Of Love, música de pegada lenta e produção eletrônica, fala de quanto tempo Madonna perdeu se preocupando com a fama e de como sua filha a fez entender o real valor da vida. O clipe causou polêmica por trazer cenas em que Madonna foge de paparazzi, um ano após a morte de Lady Di. The Power of Goodbye traz mais ensinamentos da cabala e mostra Madonna linda como nunca. Dirigido por Matthew Rolston, é uma balada eletrônica e possui os remixes mais experimentais de toda sua carreira. Nothing Really Matters, faixa com pegada house, traz mais ensinamentos de cabala e foi seu menor hit nas paradas. O clipe, gravado em Nova York e dirigido por Johan Reck, é inspirado no filme Memórias de Uma Gueixa. Faz referências aos quatro elementos, com Madonna mais uma vez morena e linda, usando um quimono de Gaultier. Sky Fits Heaven, lançada apenas como promocional, e Skin, apenas para DJs, fecham a era Ray Of Light, momento que promoveu a terceira grade reinvenção de Madonna até então (Like a Prayer foi a primeira, Erotica, a segunda, e Confessions on the Dancefloor, a última até agora). As músicas de Ray Of Light só foram apresentadas ao vivo para o grande público em 2000 na turnê Drowned World, que promovia o lançamento do álbum Music. O álbum ainda inclui mais cinco canções: Candy Perfume Girl, com uma pegada pop-rock alternativo inglês, Shanti Ashtangi, mantra de yoga musicado por Madonna cantado em sânscrito, duas faixas escritas para seu bebê, Lola (Mer Girl e Little Star) e a ambient To Have and Not To Hold. Ainda estava planejado um álbum de remixes, Veronica Eletronica, mas o projeto foi abandonado. O legado da era Ray Of Light foi ter levado a música eletrônica de uma maneira pop para todo o mainstream e acabou se tornando o primeiro contato de muitos com o estilo de som que se tornou a cara do século XXI. Fonte: Music Non Stop/ Mauro Borges
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