terça-feira, 16 de agosto de 2016

Um salto para a história: Thiago Braz, o ouro do Brasil

Na olimpíada do Rio de Janeiro, o Brasil viu o nascimento de um novo herói olímpico: Thiago Braz conquistou a primeira colocação no salto com vara masculino e trouxe uma conquista inédita para o país. Pouco conhecido pelo grande público, o esportista já era o melhor da modalidade na América Latina. Agora, sagra-se o melhor do mundo. A infância de Braz, hoje com 22 anos, esteve longe da glória dos dias atuais. Ainda pequeno, em Marília, no interior de São Paulo, o menino foi abandonado pela mãe na casa dos avós. Segundo relato de familiares, Thiago esperou durante dias o retorno da mãe com uma mochila nas costas – até perceber que esse dia não chegaria. Em meio ao período turbulento, a paixão pelas alturas começou a tomar forma. O fascínio e o sonho de voar, Braz atingiu não com um avião, mas com auxílio da vara. O tio, Fabiano Braz, um atleta do decatlo, percebeu o dom do menino e, aos 13 anos, Braz começou a treinar sob sua supervisão. Dois anos depois, o prodígio passou a ser lapidado por Élson Miranda de Souza, marido e técnico de Fabiana Murer (campeã mundial de salto com vara). O potencial era mais que evidente e, com apenas 16 anos, participou dos primeiros Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura-2010, conquistando a prata. No mesmo ano, foi medalha de ouro no sul-americano juvenil. Sua primeira grande competição adulta foi o Mundial de Moscou-2013; na ocasião, no entanto, Braz não passou da fase classificatória. Em 2014, Thiago Braz se casou com Ana Paula Oliveira, atleta da mesma modalidade (que não conseguiu vaga nas Olimpíadas no salto em altura) e se mudou para a Itália para treinar com o mítico Vitaly Petrov, mentor das grandes lendas Sergey Bubka e Yelena Isinbayeva. Após sofrer uma fratura na mão esquerda que exigiu cirurgia, o atleta teve ajuda da mulher para superar a penosa recuperação. Com muito esforço, Braz não perdeu o foco nas Olimpíadas e, após dez saltos, conseguiu uma altura histórica: voou a 6,03 metros de altura, levou o ouro e ainda estabeleceu um novo recorde olímpico. Mais jovem, Braz havia respondido um questionário sobre seus objetivos profissionais e afirmou que devia “aceitar o que Deus tivesse” para ele. Parece que a vitória estava marcada em seu caminho. Thiago Braz nem parecia tão surpreso depois de alcançar um dos maiores feitos da história do esporte brasileiro nesta segunda-feira. Com um sorriso no rosto, mas sem perder a serenidade, o campeão olímpico do salto com vara abraçou a esposa Ana Paula de Oliveira – a quem não via há dois meses, concentrado para os Jogos – e celebrou com a torcida. No entanto, ao assistir pela TV a maneira como superou 6,03 metros de altura, a melhor marca de sua carreira, o atleta de Marília (SP), admitiu espanto. “Meu Deus! Foi alto, cara! Eu vi que estava passando nessa altura. Vendo de fora foi altíssimo. Que salto bonito, cara!”, disse o atleta de 22 anos em entrevista à Rede Globo logo após a conquista no Engenhão. Ao contrário do adversário, o francês Renaud Lanillenie, que reclamou da torcida, Thiago Braz exaltou o comportamento dos fãs. “A lembrança que eu vou levar é o público. Achei que o público brasileiro ia me pressionar um pouco, mas no momento da prova senti que estava todo mundo a meu favor. Isso foi muito interessante. Queria agradecer o carinho de todo mundo. Foi muito emocionante o que eles fizeram.”
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