terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sérgio Sasaki e Arthur Nory se firmam como pilares do time do Brasil

Forçando um pouco a barra, eis aí um "quase" que, para a evolução da ginástica artística masculina no país, vale como pódio. O Brasil ficou sem medalha de ouro, prata ou bronze na final por equipes da Olimpíada Rio-2016, mas só o fato de ter alcançado a condição de disputá-las já foi um marco para a seleção brasileira. Portanto, pode-se dizer que foi um honroso sexto lugar. O ouro ficou com o Japão, liderado pelo genial Kohei Uchimura, 27 anos, que acerta quase tudo. Uma vitória com sobras: 274.094 pontos. A prata foi para a Rússia (271.453), deixando o bronze no peito dos chineses (271.122). Para o Brasil, chegar à frente da poderosa Alemanha e da tradicional Ucrânia foi um resultado honroso. Arthur Zanetti tem muita chance na luta pelo bicampeonato olímpico, no dia 15. E Diego Hypolito, no solo, no dia 14 de agosto. O Brasil não teve quedas na final, como já ocorrera nas classificatórias. A passagem dos cinco atletas brasileiros nos seis aparelhos (paralelas, barra, solo, cavalo com alças, argolas e salto sobre a mesa) foi limpa. Na ginástica, parte-se de uma nota comunicada aos árbitros, e os erros de execução dos exercícios vão descontando pontos até o resultado anunciado no telão. Na final por equipes, cada país designa três ginastas por aparelho. As três notas são computadas para efeito de média geral, sem descartes. Como o Brasil nem sempre arriscava uma nota de partida alta em cada aparelho, às vezes a torcida não entendia como japoneses e americanos, com erros claros, terminavam com pontuação final maior. Em resumo: quanto mais difícil a série, mais chance de seduzir os árbitros e ganhar nota alta. O Brasil foi conservador neste aspecto, e nem poderia fazer diferente. Bateu no seu teto em termos técnicos. Veja a história antes da Rio 2016: Arthur Zanetti já garantiu vaga no quinteto brasileiro para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, mas o páreo interno pelos quatro postos restantes segue aberto. Dois ginastas lideram essa corrida e estão bem perto da convocação. Ginastas mais completos do Brasil, Sérgio Sasaki e Arthur Nory se firmaram como os pilares do time verde-amarelo. Os dois não veem competição entre eles, mas disputam o posto de número 1 do país. - Está todo mundo focado, treinando junto, sem ninguém se isolar. Houve anos que tinha gente que se isolava, mas desde o ano passado a equipe está muito fechada. Agora é vaga olímpica. É o Big Brother da Ginástica. São 12 ginastas, e no dia 18 (de junho) vamos saber quem que vai para o paredão. A gente brinca de ver quem é o líder depois de cada competição. A gente só brinca - contou Nory. A liderança do “Big Brother” da seleção de ginástica voltou para Sérgio Sasaki depois da etapa de São Paulo da Copa do Mundo. Finalista do individual geral nos Jogos de Londres, o ginasta de 24 anos desde 2012 é considerado o mais completo do Brasil. No ano passado, porém, ficou afastado das competições para se recuperar de lesões no joelho e no ombro. Arthur Nory, de 22 anos, assumiu a lacuna da ausência de Sasaki e foi o melhor da equipe no Mundial de 2015, em Glasgow. Agora os dois se alternam na ponta do páreo olímpico interno. Finalista dos três últimos Mundiais, Nory abriu a temporada com uma medalha de prata na etapa de Glasgow da Copa do Mundo de individual geral, que reúne os melhores generalistas do mundo. Sasaki só voltou a competir nos seis aparelhos no evento-teste dos Jogos do Rio, em abril. Na ocasião, ele teve falhas e só conseguiu uma boa série no cavalo com alças. Em São Paulo, cada um se apresentou em três aparelhos, e Sasaki se destacou, com um ouro e duas pratas, contra um ouro de Nory. - Sasaki vem em uma evolução bastante grande. Aqui ele mostrou um bom primeiro salto e gostei bastante da série de barra fixa. Acho que está em um bom caminho. Tem que manter o foco para poder trabalhar e entrar na equipe. Ele está voltando. O Nory, em São Paulo, eu não gostei muito, mas ele vem em um processo de treinamento forte. São poucas coisas para corrigir no Nory. Está em um bom caminho também. Acho que vai ser um ginasta bastante importante nos Jogos - analisou Leonardo Finco, coordenador da seleção brasileira masculina de ginástica artística. Apesar dos erros em São Paulo, Nory tem apresentado maior consistência nesta temporada. Sasaki, por outro lado, já mostrou séries com maiores dificuldades. Se somadas as melhores notas em cada aparelho neste ano, o finalista olímpico leva vantagem. - Eu não me ponho como o melhor do Brasil, nem sei se ele se põe. Sou um ginasta como qualquer um e quero conquistar meu espaço. Quero fazer um trabalho bem feito - afirma Sasaki. A concorrência existe, mas um ginasta apoia o outro. Os dois moram no mesmo prédio no Rio de Janeiro, em apartamentos alugados para receber a seleção, perto do centro de treinamento da Barra. - A gente sempre se ajuda, conversa. Pego muita experiência com o Sasaki, que tem bastante bagagem. Ele foi meu ídolo, espelho quando era menor. A gente sempre conversa de ginástica. Vivemos isso juntos. Quando ele cresce, eu cresço. É uma coisa de mão dupla, a gente cresce junto - disse Nory. Além dos dois ginastas, estão no páreo dos generalistas Caio Souza, Francisco Barretto, Lucas Bitencourt, Petrix Barbosa, Péricles Silva, Fellipe Arakawa, Henrique Flores e Angelo Assumpção. Quarto colocado do individual geral nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, Caio foi elogiado pelo técnico-chefe da seleção, Renato Araújo, e está na cola de Sasaki e Nory.
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