quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Rio 2016: Arthur Zanetti, Arthur Nory, Diego Hypolito, Sérgio Sasaki e Francisco Barretto lideram equipe do Brasil

Oficialmente, o primeiro evento da Olimpíada do Rio de Janeiro será a partida de futebol entre as meninas da Suécia e da França, às 13h desta quarta-feira. Só que um pouco antes, a partir das 10h30, a ação já vai tomar conta da Arena Olímpica para a ginástica artística, e com a equipe masculina do Brasil na área. O treino de pódio é uma espécie de ensaio geral da modalidade, em que as apresentações não contam pontos, mas podem cativar os árbitros e colocar os ginastas mais perto de uma final e até de uma medalha. Arthur Zanetti, Arthur Nory, Diego Hypolito, Sérgio Sasaki e Francisco Barretto estão no primeiro grupo a se apresentar - na quinta é a vez das meninas. Mas afinal, o que é esse ensaio geral com direito a reconhecimento de campo, lobby e tira-teima. Na ginástica artística, todos os competidores sobem no pódio. Não aquele em que os primeiros colocados recebem suas medalhas, mas sim uma espécie de palco em que os aparelhos são montados para as apresentações. Nos locais de treino, normalmente não há esse pódio - na Rio 2016 há o palco na hall de aquecimento, mas não no de treinamento. Em um esporte que valoriza a precisão, a diferença de saltar no chão e sobre um palco é grande. Por isso, o treino de pódio serve como um reconhecimento de campo para os ginastas. O treino de pódio também é o primeiro contato dos ginastas com os árbitros. Aqui, a expressão “a primeira impressão é a que fica” é levado a sério. Os árbitros não divulgam notas, mas avaliam as apresentações e conversam entre si para alinhar critérios de julgamento. Técnico-chefe da equipe masculina do Brasil, Renato Araújo compara o treino de pódio ao classificatório da Fórmula 1. Como no automobilismo, o “pole position”, aquele que se passou melhor impressão no treino de pódio, pode não ir bem na hora da decisão, mas larga em vantagem. - É o momento que tem de causar a boa impressão: “O Brasil é uma equipe segura”. É o mais importante. Não é o que decide, mas é importante passar bem e mostrar confiança para os árbitros - disse o ginasta brasileiro Arthur Nory. As apresentações dos ginastas são os pilares para os árbitros construírem suas primeiras impressões, mas não as únicas bases. Há também uma espécie de lobby, uma conversa permitida entre técnicos e árbitros, para que estes vejam as equipes com bons olhos, mesmo que sempre ressaltem uma avaliação objetiva. - É um treino que todos os árbitros estão olhando. Outros países também estão olhando. Você vai lá fazer a série que vai competir. O tempo é o mesmo da competição, o rodízio é igual ao da competição. É como se fosse a competição. É importante para fazer o lobby para tua equipe, mostrar aos árbitros que a equipe está bem. Aí já começa aquele murmurinho entre os árbitros. É superimportante, porque a ginástica tem o julgamento um pouco abstrato. Quando o comentário é grande, o árbitro presta mais atenção. Não muda resultado, mas é importante - explicou Renato Araújo, técnico-chefe do Brasil. Na conversa entre técnicos e árbitros, além do lobby, é possível fazer um “tira-teima” para acabar com qualquer dúvida nas apresentações dos ginastas. É a hora de conferir se as notas de partidas esperadas pela comissão técnica (as dificuldades das séries) estão iguais às anotadas pelos juízes, se todos os movimentos estão sendo validados como os treinadores imaginam. - Ali o importante é o árbitro já saber a nota de partida, até para ele não errar na hora. Você pode tirar dúvida: esse movimento não está valendo E, está valendo D (que tem menor pontuação no código), precisa marcar (o elemento de força) mais um segundo. Tiramos essas dúvidas com o árbitro-chefe. Se quiser mudar entre quarta-feira e sábado, tem o ajuste final. Essa conversa entre técnicos de diversos países com árbitros de todo mundo quase sempre é em inglês, mas eles se entendem mesmo em uma linguagem própria da modalidade: o código de pontuação. A língua da ginástica tem até uma escrita. Cada movimento é tem um símbolo que o representa. Um mortal para frente, por exemplo, é uma linha com uma volta, uma pirueta é um espiral. Parece garrancho para que não fala “ginastiquês”, mas árbitros e técnicos entendem bem a descrição da série, colocada no papel em tempo real.
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