domingo, 14 de agosto de 2016

Conheça Arthur Nory: medalha de bronze na Rio-2016

Nory sempre foi apaixonado por esportes, nasceu em Campinas, num lar de esportistas, a mãe foi nadadora e o pai (Roberto Mariano), judoca. Começou cedo, aos seis anos, sob influência do pai, ingressou no judô no Palmeiras, chegou a até ser faixa laranja (quarta graduação). Graças aos exemplos de Diego Hypolito e Daiane dos Santos, descobriu sua paixão pela ginástica aos 10 anos (2004). Decidiu mudar de modalidade, foi para o Clube "Pelezão", da Prefeitura de São Paulo, mas seu pai o instigou a não abandonar o judô, queria que o filho fosse faixa preta (oitava graduação). Aos 11, trocou de clube, viu que não tinha mais como crescer no clube municipal, fez um teste para o Clube Pinheiros e passou. Arthur ficou um ano nos dois esportes, mas resolveu dedicar-se inteiramente a ginástica, no individual geral que contempla seis modalidades (solo, salto, barra fixa, paralelas, argolas e cavalo com alças) demandando uma dedicação maior, com 7 horas de treinos diários. Em julho de 2016 foi incorporado pelo Comando da Aeronáutica (COMAER) como um dos novos 34 sargentos no Programa de Atletas de Alto Rendimento. Desta forma, passa a possuir a graduação de Terceiro-Sargento, integrando o Quadro de Sargentos da Reserva de 2ª Classe Convocados. Os militares atletas representam a Marinha do Brasil em torneios desportivos militares nacionais e internacionais. Sua dedicação e esforço deram frutos: foi 2º lugar na Copa do Mundo, na categoria individual geral e 4º lugar em salto nos Jogos da Juventude. Atualmente é o 4º no ranking mundial na modalidade Barra Fixa. Para completar a bagagem, o estreante Arthur Nory completou o pódio, com a medalha de bronze na olimpíada do Rio. A prata vem como uma redenção para Diego Hypolito. Bicampeão mundial no aparelho, em Melbourne-2005 e Stuttgart-2007, o brasileiro nunca conseguiu render o mesmo em Olimpíada e ficou marcado por não ter psicológico forte na hora do 'vamos ver' Em sua estreia na competição, em Pequim-2008, obteve 15.950 pontos e classificou-se na primeira posição. Na final, no entanto, sofreu uma queda e terminou em sexto. Em Londres-2012, Diego reviveu o pesadelo: também caiu, cravou apenas 13.766 pontos e nem foi à final. Praticamente fora da Olimpíada do Rio alguns meses antes da competição, ele focou no objetivo de ir aos Jogos. Com os resultados nos treinos e a necessidade de a equipe brasileira de ter um especialista no solo, acabou conquistado a sonhada vaga. Ele mesmo chegou a dizer que achava que não teria um lugar na seleção, desta vez. Agora, a redenção. Diego entrou no tablado com 6.800 na dificuldade do exercício + 8.733 na execução. Sem erros, saiu de cena sem penalidade, com nora 15.533 e muito cotado a uma medalha. Aí restou a ele assistir aos rivais que ainda faltam se apresentar. A cada nota que saia, a ansiedade aumentava. Mas ao final, foi só comemorar a medalha inédita e histórica. O quinto a se apresentar foi Arthur Nory. Estreante em Jogos Olímpicos, o brasileiro ganhou o carinho da torcida antes de executar a sua série. Com boas acrobacias, como um duplo mortal carpado e rodada flip, o atleta saiu sem erros e festejou muito quando finalizou a apresentação. Na nota:15.433, acima da que ele obteve na classificatória (15.200). Nas apresentações finais da série, o norte-americano Jacob Dalton conseguiu uma nota 15.133, deixando Hypolito nervoso. Ainda restavam mais dois. Um deles era o atual campeão olímpico, o japonês fez uma péssima apresentação, quando caiu quase duas vezes e com uma série de erros, conseguiu apenas uma nota 15.366. Nory também impressionou, com uma série quase perfeita de mortais e muita criatividade. Ele empolgou e comemorou muito a sua apresentação, a nota 15.433 o manteve em terceiro até o fim. Com a divulgação da última nota, a arena foi ao delírio. Abraçados, os brasileiros pegaram a bandeira nacional e exibiram orgulhosos para todo o mundo. Nory não conseguiu acompanhar os desempenhos dos ginastas que se sucederam a ele. O atleta ficou agachado e com a cabeça escondida entre os braços. Ele explicou o que fazia naquele momento: — Um filme passa na cabeça depois que você faz a série. Evitei olhar quem vinha depois de mim. Eu sabia que pela classificação mais três podiam me passar, e realmente três ginastas muito bons. Estava agradecendo muito e chorando, chorando, chorando, por tudo. Passou toda a história que eu tenho na ginástica. Depois que acabou eu só agradeci, a Deus, ao universo, ao meu técnico, por ter dado o meu máximo. Saí satisfeito, com um sorriso no rosto. Arthur Nory, 22, medalha de bronze no solo na Olimpíada do Rio, começou no esporte no judô. Era o plano do pai, Roberto, faixa preta. Mas o garoto ia para os treinos no clube e ficava encantado com as acrobacias das ginastas. Quando os pais se separaram, e a mãe, Nadna Oyakawa, passou a dar aulas de educação física em um clube da zona Leste, o garoto de 11 anos contou que queria praticar ginástica, e foi incentivado por ela. Nory começou a frequentar os treinos e, menos de seis meses depois, passava em um teste no Pinheiros, para uma das principais equipes do país. O pai, no entanto, só passou a apoiar o garoto após uma conversa com o técnico e psicóloga de Nory. Ele viu os resultados do filho, entendeu o que era a ginástica e viu que ele poderia "ter futuro". Aos 14 anos, Nory foi campeão brasileiro infantil. No Mundial do ano passado, foi o primeiro atleta do país a chegar à final da barra fixa. Terminou em quarto lugar, colocação inédita. A marca fez ele e seu treinador, Cristiano Albino, acreditarem na chance de medalhas. Nory, no entanto, foi mal em seu aparelho mais forte e nem avançou à decisão na Rio-2016. Restou-lhe o solo. Com uma apresentação sólida, fez 15.433 e contou com erros dos rivais para garantir o bronze. Nory é fã de Daiane dos Santos, campeã mundial no solo em 2003, e amigo da norte-americana Simone Biles, fenômeno da ginástica atual e campeã mundial do individual geral nos Jogos do Rio.
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