domingo, 26 de junho de 2016

Faixa preta há menos de um ano, Rafael Buzacarini vira principal aposta de surpresa do judô

Ele precisou de cinco meses após o Pan para superar o adversário no ranking internacional e conseguir a graduação mais alta no esporte, a faixa preta. Foi oficializado no início do mês para integrar a equipe olímpica do esporte. Em um time com dez medalhistas olímpicos e campeões mundiais, o segundo lugar conquistado por Buzacarini no Grand Slam de Paris, em novembro, que lhe garantiu a vaga, parece até uma credencial modesta. Mas para a comissão técnica da CBJ (Confederação Brasileira de Judô), ele é a principal aposta de surpresa. "Buzacarini está muito solto. O treino dele rende muito bem porque brinca quando está livre e foca na luta. Ele cresceu muito no último ano", disse Ney Wilson, gestor de alto rendimento da CBJ. Medalhas inesperadas fazem parte da história do esporte no Brasil. A judoca Ketleyn Quadros se classificou para os Jogos de Pequim-2008 após Danielle Zangrando se lesionar no início do processo seletivo. Com o bronze, tornou-se a primeira mulher a obter uma medalha em prova individual pelo país. O mesmo ocorreu com Carlos Honorato, prata em Sydney-2000. Ele obteve a vaga após Edelmar "Branco" Zanol fraturar uma costela. Buzacarini superou Corrêa no tatame no último ano do ciclo olímpico e se tornou a "zebra favorita" da equipe. Para Honorato, um dos ídolos de Buzacarini, chegar aos Jogos sem grandes títulos pode ser uma vantagem. "Em 2000 ninguém sabia quem era Carlos Honorato. Cheguei muito mais leve na Olimpíada. Mas na seguinte, a pressão era muito maior. Fiquei muito preocupado em não errar e prejudicou a luta", afirmou Honorato, que não obteve medalha na Olimpíada de Atenas-2004 quando era favorito. 'BRINCALHÃO' Pressão parece passar longe de Buzacarini. Na apresentação da equipe, fez troça da foto oficial de apresentação. "Fiquei até mais moreno", disse ele, que muitas vezes é questionado se tem albinismo por ser muito branco. "Estou tranquilo, confiante. Tenho que fazer o meu melhor, relaxado. Como eu sou o novato, sou tranquilo e brincalhão", afirmou. Até 2010, ele treinava como um atleta amador em sua cidade natal. Ao chegar a São Caetano, as atividades mais intensas fizeram com que perdesse peso e mudasse da categoria de pesado (acima de 100 kg) para meio-pesado. O que não perdeu no período foi o apelido "Bolo Cru". "O pessoal falava: 'Você é branquinho, gordinho. Parece uma massa de bolo'. Aí virou Bolo Cru", contou. Dois anos depois, passou a integrar a seleção brasileira. A rápida ascensão acabou deixando despercebido um detalhe: a faixa marrom com que disputava as competições nacionais. A faixa preta não chegava porque o judoca nunca conseguiu conquistar a competição regional que dá a graduação. Outra forma de obtê-la é com indicação da CBJ, o que ocorreu no fim do ano, após a prata em Paris. "Nas competições internacionais, todo mundo usa preta. Então ninguém percebeu. Quando o Luciano soube, ficou indignado. Eu não esquentava com isso", disse Buzacarini, aos risos. RAIO-X RAFAEL BUZACARINI Nascimento Barra Bonita (SP), 6.out.1991 Categoria Meio-pesado (até 100 kg) Principal resultado Prata (Grand Slam Paris-2015)
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