sábado, 23 de abril de 2016

Tomorrowland Brasil estimula sentidos do público ao extremo

Vale tudo para estimular os sentidos do público na Tomorrowland --além da música eletrônica repetitiva que toca em todas as áreas da festa, dezenas de canhões laser se somam a máquinas de bolhas de sabão, telões gigantes e holofotes coloridos para completar o show. A força hipnótica que emana dessa parafernália visual é difícil de descrever. A cenografia da Tomorrowland mistura referências da natureza, com bancos na forma de orquídeas, a objetos mecânicos. No palco principal, engrenagens gigantes circundavam um telão onde o rosto de um androide surgia para saudar a audiência. Havia até uma roda d'água funcionando de verdade. Espalhado por todas as áreas do festival, o símbolo da Tomorrowland aparece vigilante: um olho acomodado no topo de uma borboleta. Mas toda essa estrutura colossal tem um preço, e ele não é baixo. Além dos ingressos, que custam até R$ 1,9 mil, no caso do Full Madness (loucura total, em inglês) VIP, os valores de alimentos e bebidas são altos. Um saco de pipoca custa R$ 12,5, e um temaki sai por R$ 25. Os organizadores também não pouparam na pirotecnia. Fogos pipocaram no céu estrelado de Itu a noite toda, enquanto lança-chamas instalados no palco aqueciam o rosto dos que dançavam mais próximos aos DJs. Laser e papel picado completavam o jogo cênico. O festival de origem belga, um dos maiores do mundo, encerrou a segunda noite da edição brasileira nesta sexta-feira (22) com show do sueco Alesso. No palco principal, o transe acontece com mais intensidade. As milhares de pessoas que se apertam aos pés da cabine do DJ acatam cada pedido dos artistas: vale balançar os braços de um lado para o outro e até cantar o "Hum" do personagem de Matthew McConaughey em "O Lobo de Wall Street" (esse foi um pedido da dupla belga-holandesa W&W), com direito a batidas no peito. Os feixes de laser colorido se transformavam ora em ondas azuladas, ora em formas geométricas vermelhas, numa dança luminosa frenética à qual a multidão assistia extasiada. Choveu papel picado, fogos estouraram e línguas flamejantes emergiram da beira do palco. Durante o show do holandês Afrojack, milhares de bastões de luz foram distribuídos ao público, como parte de uma ação de marketing de uma marca de energético. O DJ tocou um dos sets mais agitados e intensos até agora. Ao sacudir os bastões, a plateia parecia um tapete de LED em movimento. Afrojack tocou seu hit "Ten Feet Tall", um remix de "Pon De Floor", do Major Lazer, e "I Would Die 4 U", do Prince. O holandês lamentou a morte do músico americano. Na noite anterior, o francês David Guetta já havia feito um tributo ao tocar "Kiss", outro sucesso do cantor. E o público aprovou as homenagens. "Gosto quando os produtores misturam música eletrônica com os clássicos", diz Jessica Gomes, 22, que admitiu conhecer apenas algumas músicas do Prince. Ela assistiu aos dois sets e descansava sentada no gramado em frente ao palco principal. Nesta sexta-feira, a Tomorrowland assistiu também aos shows do holandês Armin Van Buuren e do brasileiro Ftampa, que tocou bass music enquanto o sol ainda brilhava sobre o Parque Maeda. Nos palcos menores, o tradicional núcleo de raves XXXperience trouxe o psytrance dos israelenses Infected Mushroom e o projeto suíço de progressive trance Liquid Soul. O brasileiro Alok teve seu próprio palco, o Brazilian Bass, onde tocaram a dupla alemã Aka Aka e o produtor goiano Illusionize. A Tomorrowland continua neste sábado (23), último dia do festival, quando tocam os irmãos belgas Dimitri Vegas e Like Mike, além do grego Steve Angello. No palco do brasileiro DJ Marky se apresentam os DJs Hype e Andy, entre outros convidados. A estrutura e cenografia impressionam desde a entrada, guardada por um arco-íris gigante inflável. Dentro, há uma área comum equipada com padaria, loja de conveniência, banheiros com chuveiro, bares e lojas de comida, pontos de recarga de celular, entre outras facilidades. O tipo de acomodação depende da categoria de ingressos. Na mais simples (R$ 250), o participante leva sua própria barraca. Na "Spectacular Dream Lodge" (cabana espetacular do sonho na tradução do inglês), ele paga R$ 5,2 mil reais e tem direito a uma pequena tenda com deck de madeira na frente. Bandeiras de vários países podem ser vistas penduradas sobre as tendas. O iraniano Mohammad Reza veio com mais quatro amigos de Teerã para curtir a festa. Eles tomavam sol num colchão inflável e comiam pistaches antes de voltar à pista de dança. "É o maior festival do mundo", diz Mohammad, que trabalha na indústria de cosméticos. Eles ainda planejam conhecer o Rio de Janeiro antes de voltar ao Irã. O quinteto estava acampado bem ao lado da analista financeira paulista Giselle Mazin, 28, que na noite anterior se divertiu conversando com eles na madrugada. Ela está numa tenda própria com uma amiga e reclamou da falta de proteção contra o sol, que a fez acordar nas primeiras horas da manhã. "É a primeira vez que acampo", diz Giselle. Ela também reclamou do custo e da duração do banho: por R$ 15, ela tem direito a 4 minutos de água corrente. "Com cabelo comprido, quase não dá tempo", diz. Os frequentadores apontam esses altos valores como um dos pontos negativos do festival. Outro exemplo: há uma área de recarga de celulares, também paga. Da mesma forma, o lado positivo da Tomorrowland pode ser visto claramente na Dreamville, inclusive na fila do polêmico banho. Por lá, o paquistanês Ali Uzair, 25, tentava explicar a um brasileiro a diferença entre sua terra natal e o Iraque. "Quero contar às pessoas do Brasil que no meu país não há só guerras. Somos um povo pacífico que gosta de música", diz o nativo de Islamabad. Na área das cabanas VIP, os americanos Joseph Reed, 35, e Chris Howard, 39, elogiavam a estrutura do festival. "Isto é mágico, o palco mais incrível que já vi na vida. E as mulheres são lindas", diz o californiano de Long Beach. A dupla estava acomodada bem perto de Paulo Gabriel Brandão, 30, que descansava com os parentes de Manaus (AM) nas cadeiras em frente a uma das cabanas. Ele acredita que o festival tenha melhorado em relação ao ano passado, com mais abastecimento de bebidas e alimentação. "O acampamento é bom porque você acorda e já está na festa", diz Suzana Martinez, irmã de Paulo. Enquanto os irmãos vivem a experiência do festival pela segunda vez, há também os estreantes na Tomorrowland. É o caso do equatoriano Jimmy Rio Frio, 26. Ele veio numa excursão com mais de 250 empregados da empresa de alimentos funcionais Omnilife, que bancou toda a viagem. "O festival é absolutamente incrível." A Tomorrowland tem sets do holandês Armin Van Buuren, do grego Steve Angello e do brasileiro Gui Boratto, entre outros. Na quinta-feira (21), mais de 60 mil pessoas compareceram, segundo a organização. No principal, tocaram Guetta, veterano francês, os suecos Axwell e Ingrosso, além do brasileiro Alok — um dos mais festejados pelo público. A música eletrônica agressiva dominou a noite, junto a versões de hits do pop americano. Bumbos graves ecoavam pelo gramado do Parque Maeda, em Itu, onde milhares de pessoas dançavam furiosamente. Os DJs tocaram sucessos da EDM (sigla para electronic dance music) como "Lean On", do Major Lazer, além de muitos remixes de músicas antigas. Muitos mesmo. Somente no set do brasileiro Alok, por exemplo, a plateia ouviu versões das seguintes músicas: "Satisfaction" (2003), de Benny Benassi, "Seven Nation Army" (2003), do White Stripes, executada ao menos três vezes ao longo da noite por outros DJs, e "Enjoy the Silence" (1990), do Depeche Mode. O público não pareceu incomodado, e vibrou a cada hit. Alok falou muito com a multidão e, quando esta acendeu simultaneamente milhares de celulares para filmá-lo, o DJ disse que aquela era a cena mais incrível que ele já havia testemunhado.
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