quinta-feira, 21 de abril de 2016

Ícone da música com 100 milhões de discos vendidos, cantor Prince morre aos 57 anos nos EUA

O cantor Prince, de 57 anos, foi encontrado morto em seu estúdio de gravação no Minnesota, nos Estados Unidos, às 10h07m (horário local) desta quinta-feira. A informação foi confirmada por Yvette Noel-Schure, assessor do músico. A polícia disse que Prince foi encontrado num elevador e que tentaram ressuscitá-lo, sem sucesso. Não havia sinais de crime na cena. Dono de sete prêmios Grammy, conquistados entre 1984 e 2007, Prince emplacou cinco canções no topo da lista da "Billboard" e vendeu mais de 100 milhões de discos ao longo da carreira. Ele também venceu o Oscar de Melhor Canção Original em 1985, por 'Purple rain' e o Globo de Ouro, por 'The song of the heart', em 2006. Na semana passada, o cantor foi levado às pressas a um hospital de Moline, no Illinois (EUA). O problema de saúde do astro, que não foi revelado, obrigou seu avião particular a fazer um pouso de emergência na cidade quando ele voltava de Atlanta, onde havia se apresentado. Ele cancelou duas apresentações em 7 de abril, mas preferiu manter o show de Atlanta, apesar de não estar se sentindo bem. Depois de cantar, ele embarcou no avião e teve uma "piora considerável" no que foi descrito como uma gripe. Então, o avião precisou pousar para que ele recebesse tratamento. RELEMBRE A TRAJETÓRIA DO ASTRO "Produzido, arranjado, composto e executado por Prince". A frase na ficha técnica do disco "For you" era de total arrogância para um garoto de 19 anos. Mas o que ele anunciava em 1978, em sua estreia fonográfica, era o seguinte: ali estava um contendor para James Brown, Sly Stone, Stevie Wonder, Earth, Wind & Fire ou qualquer outro titã da black music. Com vocabulário, competência e ambição, era só uma questão de tempo para que Prince chegasse a rei. A coroação viria em seis anos, com "Purple rain", disco com o qual ele deixou de ser mais um na multidão de jovens e talentosos músicos negros americanos (em seu caso, com uma aptidão para incorporar novidades brancas, como a new wave) e foi alçado ao primeiro time do estrelato do pop. Ao lado de Michael Jackson, Madonna e Bruce Springsteen, Prince deu o tom dos anos 1980. O assombro provocado pela chegada de canções como "When doves cry" (um estranho e sedutor eletrofunk, com gemidos extáticos, teclados digitais e guitarra hendrixiana) e "Purple rain" (outro aceno a Hendrix, na forma de uma apaixonante power-balada), só quem estava lá em 1984 pôde avaliar com precisão. Depois que Michael Jackson quebrara, com "Thriller", as barreiras que separavam o pop negro do todo pop, Prince vinha trazendo um novo componente para a festa: o sexo, a ser praticado com um fervor quase religioso. A controvérsia (por sinal, título de seu quarto LP), não assustava em nada o artista — ela o alimentava, fazia-o seguir provocando. Disposto a não fazer o jogo da indústria, Prince entrou pela segunda metade dos anos 1980 gravando discos desafiadores que, ainda assim, eram capazes de produzir grandes sucessos, alguns dos quais não saem do repertório de seus shows. Descarada homenagem ao psicodelismo californiano dos anos 1960, o LP "Around the world in a day" (1985) trouxe "Raspberry beret". "Parade", do ano seguinte, tinha "Kiss", prova de que, se você é realmente gênio, não precisa muito mais do que uma bateria eletrônica vagabunda, uma guitarrinha e um punhado de vozes para criar um dos mais perenes sucessos das pistas de dança. O Prince que veio ao Brasil, em 1991, era um artista no total domínio do palco, com um caminhão de hits, repertório para todos os gostos (funks, rocks, baladas soul, números gospel e jazzísticos) e disposição para muito mais, como se veria em seguida com os álbuns "Diamonds and pearls" (1991) e com aquele de 1992, que, como título, trazia apenas um impronunciável símbolo — o mesmo pelo qual, mais tarde, o cantor exigiria ser chamado (e assim, não houve outro jeito senão tratá-lo como "o artista anteriormente conhecido como Prince"). Era um round da briga com a gravadora Warner, que iria para os tribunais e resultaria em sua retirada estratégica para o mercado independente, onde poderia expressar sua exuberância com liberdade. Mas foi aí que o bicho pegou. Ego e ressentimentos acabariam refletidos em seu primeiro lançamento de sua fase "não escravo", o álbum triplo "Emancipation", hoje lembrado, se muito, pela regravação de um velho sucesso dos Stylistics, "Betcha by golly wow". Os discos continuaram anos 1990 adentro, com pouco filtro, arte gráfica de gosto duvidoso e quase nenhum material para enfrentar a onda musical nada simpática do gangsta rap. Em meio a dificuldades para fazer os discos chegarem ao seu público e inquietações religiosas, Prince vivia ocaso parecido com o de Michael Jackson: como continuar vivendo depois de ter ido ao topo e voltado? Lentamente, o artista foi voltando ao jogo. Em 2004, ele lançou o disco "Musicology", o primeiro a ser distribuído por uma grande gravadora desde os tempos da Warner. Bem mais conectado com os novos tempos da música (e com seu próprio passado musical), esse foi o CD que o devolveu às paradas — era, afinal, aquele Prince que todos queriam ouvir. Conciliando sua nova crença religiosa com a profanidade dos antigos sucessos, o artista foi adiante, como um nome de peso nos palcos (seu desempenho em 2007, no show de intervalo do Super Bowl, mostrou que quem é príncipe nunca perde a majestade) e um interessante artesão do disco. Em 2011, ele cancelou a apresentação que faria no Brasil, no festival Back 2Black. Profícuo, continuou a lançar mais de um álbum por ano. Em 2014 foram dois: "Plectrumelectrum" e"Art official age". Seu álbum mais recente foi lançado no ano seguinte: "HITnRUN phase one". Prince é o gênio da lâmpada. O Rock in Rio poderia ter mil e uma noites e ele faria um show diferente em cada uma, usando o mesmo repertório. Quinta-feira esta mágica foi comprovada. Logo que o guitarrista Carlos Santana terminou seu show, as pessoas esfregavam as mãos, ansiosas: o som no Maracanã andara falhando, ameaçava chover e o público do estádio era menor que o da noite de abertura, quando Prince fez o espetáculo de encerramento. Às 23h15m, do meio da fumaça, a voz possante do baixinho repetiu o aviso do primeiro show: "Meu nome é Prince". Como se a plateia do Maracanã pudesse não saber disso. Depois do aviso, uma hora e meia de bombardeio sonoro. Prince fez de tudo no palco. Rolou no chão, foi acariciado por moças da plateia e criticou a guerra do Golfo, criando um movimento de quadris para protestar. No meio da música "Take me with you", deitou em cima do microfone e provocou, enquanto movia eroticamente o corpo: "Saddam, isso é para você". Mas o verdadeiro alvo de Prince era o público. O cantor, mistura de James Brown, Jimi Hendrix e Michael Jackson, não deixou ninguém respirar e dançou por uma hora e meia. O show de Prince começou com os dançarinos aquecendo a plateia para a entrada do mestre, que chegou de preto cantando "Let's go crazy". Era o sinal esperado: ninguém ficou quieto. Extasiado, o arquiteto Alexandre Gomes mal encontrava fôlego para falar: — Deus existe, é baixinho e feio. Assisti ao primeiro show dele, mas este está melhor. Gostei muito do Santana, mas Prince está um dedo acima de todos os artistas do festival. Lá em cima, com os cabelos esvoaçando pela ação dos ventiladores de palco, Prince pulava da guitarra para o piano, chamando a plateia para entrar na sua dança. "Shake" (balancem, em inglês), o nome da música, virou palavra de ordem, obedecida com prazer. Quando o furacão provocado por "Shake" foi acalmado, ele desembalou a guitarra para solar em "Purple rain", seu maior sucesso no Brasil. Antes de começar o solo, ele ameaçou parar de tocar, por causa de problemas com o som de palco. Os mesmos problemas haviam acontecido na apresentação de Laura Finokiaro (que tocou depois de Serguei, o primeiro do dia) e chegaram a inverter a ordem dos espetáculos: em vez de Prince, quem encerrou a sétima noite do Rock in Rio foi Alceu Valença, que deveria fazer o terceiro, desistiu e aceitou voltar no final. Na sala vip das gravadoras, Renato Russo, vocalista do Legião Urbana, mostrava sua admiração pelos múltiplos talentos do cantor. — Ele é um artista insuperável, gênio mesmo. É o melhor guitarrista que já vi tocar ao vivo. A cantora Marina engrossava o coro de elogios. Mais experiente que o resto da turma, ela já conhecia o arsenal de truques de Prince. — Já tinha visto o show dele em Paris. É de tirar o fôlego. Não gosto de ficar no meio da multidão, mas não podia deixar de vê-lo. Ele usa tudo que tem para hipnotizar o público. Mesmo sem tocar hits como "When doves cry" e "Batdance", Prince laçou a plateia pela cintura com "Kiss". Eufórico, ele distribuiu beijinhos, sorriu para o público e, só para lembrar, avisou: "Todos os meus amigos me chamam de Prince". No último dia 15, Prince precisou fazer um pouso forçado por estar passando mal em seu jatinho. Após dar entrada no hospital por conta de uma forte gripe, o cantor foi liberado e se apresentou no dia seguinte, aparentando estar recuperado. Representantes do ícone do pop afirmaram que ele voltou a se sentir mal no avião após o concerto. Prince Rogers Nelson nasceu em 7 de julho de 1958 e foi considerado pela mídia especializada como um dos grandes nomes do pop de todos os tempos. Ele vendeu mais de 100 milhões de álbuns ao redor do mundo e agitou muito as baladas disco na década de 1980. Seu maior sucesso é o disco "Purple Rain" (1984). O álbum passou 23 semanas na lidenraça da para dos Estados Unidos, além de vencer três Grammys e o Oscar de Melhor Canção Original de 1985. Com a sua versatilidade e talento musical, o norte-americano produziu grandes hits como "I Wanna Be Your Lover", "Kiss" e muitos outros, distribuídos em seus mais de 30 trabalhos de estúdio. Edgar Piccoli, apresentador do Jovem Pan Morning Show e profundo conhecedor da música, lamentou e muito a morte do astro. Para ele, a perda de Prince tem a mesma magnitude de quando Michael Jackson e David Bowie faleceram. “A notícia da morte do Prince vem na mesma magnitude do David Bowie. Ainda não foi constatada o motivo da morte, sabia-se que ele estava com uma forte gripe. Ele foi para o hospital, foi liberado e alguns dias depois foi encontrado morto. Ele não era um cara inovador somente no cenário musical, ele mexeu com comportamento. Ele tinha uma coisa andrógena. Ele subverteu tudo isso e se pegar os últimos 30 anos, mudou a música. Muitas bandas não seriam o que são hoje se não fosse por ele”, disse o apresentador. Com todo um ar inovador e criando tendências não somente na música, mas na moda também, o ícone do pop tem o mesmo tamanho do que Michael Jackson, de acordo com Piccoli. “A obra dele irá ficar para sempre. Comparando com Michael Jackson, ele está no mesmo a patamar em termos de potencial artístico. Eles vêm de vertentes similares. Ambos foram uma grande perda para a música", completou. Bruno Mazzeo, humorista: "Prince. Ou, como ele se chamou por um tempo, The Artist. Gênio absoluto da música. Respect. RIP" Lenny Kravitz, cantor: "Meu irmão de música, meu amigo, O únici que me mostrou as possibilidade que eu tinha. Mudou tudo e manteve sua integridade até o final. Ele se foi. E meu coração está partido". Lindsay Lohan, atriz: "Obrrigada Prince por toda a sua inspiração e comartilhar seu talento incrivel com o mundo". Roberta Miranda, cantora: "Aos 57 anos foi tocar e cantar nos braços de Deus" Xuxa, apresentadora: "Morre mais uma lenda... Agora o príncipe do rock ... Prince" Ed Motta, cantor: "Amor máximo. Descanse em paz" Jennifer Lopez, cantora: "Chocada e muito triste". Kesha, cantora: "Uma vida magnífica. Pensamentos e orações aos famíliares e fãs do mundo todo" Reese Witherspoon, atriz: "Hoje perdemos um verdadeiro artista. Obrigada, Prince, por toda a música que você colocou no mundo". James Franco, ator: "Eu gostaria de ter expressado meu amor por ele antes dele partir" Ariana Grande, cantora: "Um artista que mostrou a verdadeira criatividade livre e mudou todas as barreira. Existem um milhões de coisas a dizer. Descanse em paz, Lindo Prince" Maria Rita, cantora: "Em choque e profundamente entristecida" Neil Portnow, President/CEO, presidente do Grammy: "Nossa família está profundamente triste" Maddona, cantora: "Ele mudou o mundo. Um verdadeiro visionário. Que perda. Estou devastada"
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