sexta-feira, 19 de junho de 2015

Tire todas as suas dúvidas sobre termogênicos

As promessas são muitas, mas, como todos suplementos, eles têm de ser encarados como coadjuvantes inseridos em uma rotina de treino pesado, muito suor nos exercícios cardiovasculares e alimentação regrada. Ninguém duvida que os termogênicos funcionem no auxílio à queima de gordura corporal. Porém, toda a informação é pouca quando se trata de produtos que não são, literalmente, para qualquer um. A primeira dificuldade quando decidimos tomar termogênicos aparece na prateleira das lojas de suplementos. Afinal, há vários tipos, com nomes atrativos e embalagens diferenciadas. Contudo, o que deve chamar a atenção é o princípio ativo do produto. É fácil identificá-lo: de acordo com regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a substância presente em maior quantidade no produto – e isso vale tanto para suplementos, quanto para qualquer alimento que você encontra no supermercado – deve aparecer em primeiro lugar na listagem de ingredientes dentro do quadro de informações nutricionais. A nutricionista especializada em esporte Miriam Loiola explica o que significa cada uma das especificações que você vai encontrar nas embalagens das prateleiras: - Citrus aurantium: o princípio ativo é a Sinefrina, que tem ação semelhante à Epinefrina quanto ao aumento de disposição física e mental, porém sem os mesmos efeitos colaterais cardiovasculares negativos. - Guaraná: o princípio ativo é a Cafeína, com ação vasodilatadora, termogênica, estimulante do sistema nervoso central, aumentando a concentração e a disposição física e mental. - Chá verde: o princípio ativo é o EPCG, com ação antiinflamatória, antioxidante, termogênica e redutora de gordura corporal. - Pimenta vermelha: o princípio ativo é a Capsaicina, com ação vasodilatadora e termogênica. De acordo com a nutricionista esportiva e consultora de SuperTreino Érica Zago, é preciso ficar atento aos produtos disponíveis no mercado. “A única substância permitida no Brasil com o apelo ‘termogênico’ é a Cafeína. Assim, os suplementos com demais substâncias e alegações de termogênse não são legais, embora sejam facilmente encontrados no mercado. Infelizmente, nem todos os produtos têm seus rótulos traduzidos fielmente ou suas fórmulas totalmente descritas, já que em outros países estas regras não são tão severas quanto no Brasil”, avisa. São dois os problemas ao ingerir produtos que não são legalizados no País. Primeiramente, para quem está se preparando para competições, isso aumenta – e muito – o risco de doping. Além disso, se o governo não permite uma substância X, é porque não pode garantir a segurança de sua ingestão. “No momento da escolha, o profissional prescritor e o usuário devem ter total confiança no fabricante e no produto, a fim de evitar possíveis problemas como doping, aumento da frequência cardíaca e pressão arterial, tremores, aumento importante da sudorese, disfunções hormonais e até depressão. Na presença de qualquer um destes fatores, é melhor interromper o uso”, avisa Érica. Outro dado a ser observado, segundo a profissional, é a quantidade de Cafeína utilizada. “Após muitas certificações em relação aos seus mecanismos de ação, a Cafeína foi liberada para comercialização no Brasil em doses de até 420mg (o que significa 6mg por quilograma para uma pessoa de 70kg). A associação de Cafeína pura com outras substâncias também não é permitida.” Utilizando os produtos corretos e adotando uma dieta e exercícios que caminhem para o mesmo objetivo, diminui-se muito o risco de voltar a engordar, como explica o nutricionista esportivo Rodolfo Peres. “Muito se questiona se, ao cessar o uso de um suplemento que auxilie na queima de gorduras, existe a tendência do indivíduo recuperar o peso perdido anteriormente. Isto normalmente ocorre quando se administra medicamentos anorexígenos para se perder peso. Visto que ao cessar o uso de um desses medicamentos, a pessoa tende a aumentar seu apetite abruptamente, recuperando parte, ou até mesmo totalmente, o peso perdido. No caso dos suplementos citados, eles não exercem efeito significativo no controle do apetite, sendo que este efeito indesejado não ocorreria. Qualquer um pode tomar? Não é por acaso que existe o tal café descafeinado: Cafeína é uma substância que deve ser evitada por certos grupos de pessoas. Se pensarmos que as dosagens dessa substância nos termogênicos são muito maiores do que no cafezinho nosso de cada dia, dá para entender por que não se trata de um produto que pode ser usado indiscriminadamente. “Seu efeito estimulante é amplamente conhecido, mas a individualidade é um fator importante. Pequenas doses podem ter efeito estimulante para algumas pessoas, como um cafezinho, que tem por volta de 40mg de Cafeína”, lembra Érica, destacando que essa quantidade não seria nem suficiente para desencadear o processo de queima de gordura. “O efeito ergogênico da Cafeína (maior utilização de gordura como substrato energético e economia do glicogênio) aparece em doses entre 3 e 6 mg/kg de peso corporal.” Assim, a recomendação da profissional é testar as dosagens às quais seu corpo se adapta melhor. “Efeitos adversos como aumento da frequência cardíaca, ansiedade e insônia podem ocorrer.” O problema maior acontece em determinados grupos de pessoas, como explica Miriam. “A Cafeína, em altas dosagens, pode causar sintomas como tontura, dores de cabeça, náuseas, aumento da pressão arterial, insônia, fraqueza e tremores, especialmente em cardiopatas, hipertensos ou indivíduos que tomam medicamentos psicotrópicos.” Peres endossa o alerta. “Pessoas com hipertensão devem ficar atentas à composição dos ‘termogênicos’ visto que alguns produtos são riquíssimos em Cafeína, uma substância que pode auxiliar na elevação da pressão arterial em pessoas com propensão. A mesma recomendação de cautela vale para pessoas com arritmia cardíaca, histórico de depressão, transtorno bipolar e outras desordens psicológicas. Uma dica preciosa é ficar longe dos produtos que não possuem autorização da Anvisa para serem comercializados.” Como consumir? Engana-se quem pensa que termogênico é apenas coisa de quem quer emagrecer. Estes produtos também são utilizados por pessoas que querem se sentir mais dispostas. Com isso, as dosagens e formas de uso variam. “A forma de consumo dos termogênicos depende do objetivo. Por exemplo: se o indivíduo deseja acelerar o metabolismo basal e, com isso, favorecer a redução de peso, deve-se consumir até atingir o resultado desejado. Porém, caso a meta seja prioritariamente aumentar a disposição física e mental, o termogênico deve ser utilizado apenas nos momentos necessários”, explica Miriam. No caso do objetivo de perda de gordura, Érica Zago recomenda variar as dosagens. “Como nosso organismo pode se adaptar com estas quantidades, aconselha-se iniciar a suplementação com dosagens menores, especialmente naquelas pessoas que não têm o hábito de utilizar Cafeína (cafés, refrigerantes, bebidas energéticas, chocolate). Com o passar do tempo, pode-se aumentar a dose até os 420mg diários. Seria interessante interromper o uso frequente, a fim de não aumentar as necessidades.” Mas vale sempre lembrar que termogênico não é santo milagreiro. Sendo um suplemento, ele atua em conjunto com uma dieta balanceada – o que não significa fazer cortes drásticos em macronutrientes – e exercícios físicos. Tudo tem de trabalhar para o mesmo objetivo, não adianta ficar dando tiro para todos os lados. “O termogênico não substitui a dieta equilibrada e os exercícios físicos, apenas serve de auxiliar na redução de peso, devido ao efeito de aumentar o gasto energético total do dia. Para tanto, para o emagrecimento surgir de fato, o déficit energético é o maior responsável”, avalia Miriam. “Nenhum suplemento é capaz de substituir dieta e treinamento”, concorda Érica. “A Cafeína, substância extensamente estudada, pode aumentar o metabolismo de repouso em até aproximadamente 30%, ou seja, inclusive sem a prática de atividade física o organismo estaria gastando mais calorias.” “Vale ressaltar que o mais importante é o indivíduo ter em mente a necessidade de uma alimentação adequada associada à atividade física ser mantida mesmo após a obtenção dos resultados almejados”, lembra Peres. “Somente desta forma os resultados obtidos não serão perdidos. A administração destes produtos não fará qualquer tipo de milagre se o indivíduo não mudar os hábitos alimentares e mantiver um treinamento adequado em conjunto.” Falando em dieta como auxiliar na queima de gordura, a dica de Érica é apostar na proteína. “Trata-se de um alimento mais termogênico que os demais, uma vez que sua metabolização requer maior gasto energético. Gastamos entre 20 e 30% das calorias provenientes das proteínas em seu metabolismo.” Mais um item para entrar na lista pró-definição. Peres segue a mesma linha. Para o profissional, mais do que um produto milagroso, quem está em busca de um corpo rasgado deve atacar em várias áreas, desde a alimentação em si, passando pelo treinamento e pela orientação de um nutricionista. “Suplementos de vitaminas e sais minerais, suplementos proteicos (Whey Protein, mixprotéicos, etc.) e anti-catabólicos (BCAAs, Glutamina, Hmb, etc.), também podem ser utilizados com sucesso em um programa visando definição muscular, uma vez que para preservar a massa muscular magra em uma dieta hipocalórica é interessante manter uma dieta rica em proteínas. Sempre lembrando que a escolha da suplementação adequada deve preferencialmente ser determinada com o acompanhamento de um nutricionista esportivo. A individualidade biológica deve ser respeitada, sendo que a posologia, horários e produtos a serem administrados devem ser escolhidos após minuciosa avaliação de um profissional habilitado.” E as soluções naturais? Os mais atentos perceberam que muitos dos princípios ativos já descritos também podem ser encontrados ao natural, fora de cápsulas e afins. A diferença dos produtos que ganham o título de termogênicos e substâncias como o chá verde, a pimenta vermelha, o gengibre e a canela em separado é basicamente a concentração: não dá para garantir que você estará ingerindo a quantidade necessária para causar o efeito de aumento do metabolismo desejado. “Os suplementos nutricionais termogênicos industrializados já são produzidos a partir de ingredientes naturais, como extratos alimentícios concentrados nos respectivos princípios ativos. Portanto, seus resultados quando comparados aos alimentos termogênicos não são possíveis de serem mensurados, pois dependem de vários fatores como: concentração do princípio ativo, quantidade a ser tomada, frequência de consumo, sensibilidade individual aos componentes da fórmula, etc.”, explica Miriam. Além dos termonêgicos, há no mercado outros produtos que prometem ajudar no emagrecimento. Os mais famosos são o CLA e a L-Carnitina. Porém, sua eficácia ainda não está totalmente comprovada por meio de pesquisas – e, de acordo com o nutricionista esportivo Rodolfo Peres, será muito difícil que isso ocorra um dia. “Muitos profissionais ficam aguardando a apresentação de um estudo com cobaias humanas para assegurar a eficácia do produto. A meu ver, o controle de um estudo como este é dificílimo, para não dizer impossível. Como controlar ao longo de algumas semanas exatamente o que cada indivíduo participante do estudo consome de alimentos, pratica de atividade física, além das características genéticas e metabólicas? E se um indivíduo com um metabolismo impressionante estiver participando do estudo? E se outro indivíduo ‘burlar um pouquinho’ a dieta e mentir para o pesquisador? São inúmeras as limitações que fica difícil até de apresentar todas”, explica o profissional. De acordo com Peres, analisando-se a bioquímica da suplementação do CLA, se observa um melhor controle dos níveis de Insulina, ativação do tecido adiposo marrom – auxiliando na redução da gordura abdominal, aumento na atividade da lipase e melhora do perfil lipêmico (colesterol, triglicerídeos, etc.). “Estes efeitos resultariam como um auxílio no aumento da ‘queima de gordura’ e, em menor instância, no aumento da massa muscular. Mas não precisamos de nenhum estudo para comprovar que o indivíduo que está usando CLA sem ter ajustado anteriormente seu treinamento e sua dieta, não terá resultado algum!” Outro suplemento, cujo uso foi moda há alguns anos, mas que continua sendo utilizado, é a LCarnitina. Ela atua como um transportador dos ácidos graxos até a mitocôndria, dentro da célula, onde seria metabolizado como energia. “Ou seja, partindo-se do princípio de que quanto mais L-Carnitina você tiver no organismo, mais gordura irá ‘queimar’, a suplementação com LCarnitina parece ser fantástica. Mas na prática, isso não ocorre. A suplementação com este produto só é interessante para aqueles indivíduos que apresentam uma baixa ingestão de L-Carnitina, como vegetarianos estritos, por exemplo”, explica Peres. Isso porque a substância é obtida na alimentação por meio do consumo de carnes, peixes, ovos e leite. Matéria originalmente publicada na edição 52 da Revista SuperTreino. Créditos: Editora Multiesportes.
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