segunda-feira, 25 de maio de 2015

Filipe Toledo abre o jogo após vencer duas das quatro etapas do WCT

Nos dedos da mão direita, Filipe Toledo tem tatuadas as letras que formam a palavra “wild” (selvagem). Na mão esquerda, “free” (livre). É com o espírito livre e selvagem sobre as ondas que esse paulista de 20 anos vem sacudindo o mundo do surfe. Com performances arrasadoras, venceu duas das quatro etapas do WCT neste ano, na Gold Coast (Austrália) e no Rio, resultados que o deixaram na vice-liderança do ranking, atrás apenas de outro brasileiro, Adriano de Souza, o Mineirinho. No Rio, diante de uma plateia estimada em cerca de 20 mil pessoas na praia do Pepê, aniquilou os adversários até vencer o campeonato com uma nota 10 e um 9,87 na final (mas ele queria mais). O que se viu a seguir foi uma celebração digna de Maracanã, com fãs enlouquecidos quase impedindo Filipe de deixar a água e chegar ao palanque do campeonato para a premiação. Em meio à confusão, Filipe teve até a prancha roubada. — Eu senti puxarem a prancha, puxarem de novo... Quando vi, já era. Sumiu. Depois o cara mandou mensagem pelo Facebook oferecendo devolver, mas agora já era, deixa para lá — revelou Filipinho. De fala mansa e mostrando seriedade — “Mas o meu jeito é assim”, disse ao fotógrafo que pedia um sorriso durante a sessão de fotos para a matéria —, Filipe recordou momentos da vitória no Rio, falou sobre a mudança para a Califórnia, o sucesso da “brazilian storm" (“tempestade brasileira"), o fato de ser considerado o melhor surfista do mundo em ondas pequenas e a renovação que vem tomando conta do WCT. O COMEÇO NO SURFE Com dez meses meu pai já me colocou em cima da prancha, em Ubatuba. A partir dos 5 anos, eu comecei a querer surfar. Lembro daquela sensação boa, de querer estar junto do meu pai pegando uma onda. MORAR NA CALIFÓRNIA Essa mudança foi muito boa para mim, melhorou meu inglês. Lá tem mais oportunidades. Estou perto da mídia especializada, dos meus patrocinadores. É a meca do surfe, né? FUTEBOL Eu jogava muita pelada. E olha que jogava direitinho. Mas a última experiência não foi boa, machuquei o tornozelo direito e perdi um campeonato importante quando ainda era júnior. Agora parei. Jogo só uma altinha. Nunca fui em um jogo de Copa do Mundo, mas já fui em vários do Corinthians. Olha, a vibração na praia no dia da final estava melhor do que fazer um gol num estádio. RENOVAÇÃO NO SURFE O público quer ídolos. Essa nova geração está engolindo a outra geração, de Kelly Slater, Joel Parkinson, Mick Fanning. Novos ídolos estão se formando e vai chegar uma hora em que ele (Slater) vai parar. Mas claro que nunca vai ser esquecido. ÍDOLOS Gosto muito de ver os caras do UFC. A dedicação que eles têm ao esporte, aos treinos. Acompanho direto os eventos e sigo os lutadores no Instagram. Gosto muito do Vitor Belfort e do Anderson Silva. Gosto também de boxe, sou fã do Floyd Mayweather. No surfe, o Mick Fanning me inspira. REDES SOCIAIS E ASSÉDIO Sempre gostei e usei muito o Instagram. Antes da final, eu tinha 252 mil seguidores. No dia seguinte já eram 310 mil. São legais os elogios. Querendo ou não, a gente fica mais bonito a cada vitória, né? RESPEITO Quando eu estava no WQS, eu via, sim, um pouco de discriminação com os brasileiros. Logo que entrei no WCT ainda tinha um pouco, aquilo de "ah, ele é calouro". Agora já estou no meu terceiro ano e muita coisa mudou. O respeito mudou. BRAZILIAN STORM A gente nunca imaginou esse momento (Adriano em primeiro, Filipe em segundo no ranking). Começamos o ano com o pé direito. Os brasileiros estão tentando mudar a história do surfe, fazer o esporte ser bem visto por todos, o que seria melhor para todo mundo. O surfe não é mais um esporte de vagabundo. ADVERSÁRIOS MAIS DIFÍCEIS O Adriano de Souza é muito complicado. Ele é chato de ganhar, é ruim competir contra ele. É um cara muito técnico. O Mick Fanning também é muito difícil. MELHOR DO MUNDO EM ONDAS PEQUENAS Claro que tem atletas que têm experiência maior em ondas pesadas. O Slater no Taiti ou Fiji, por exemplo. Só na experiência ele já ganha de mim. Mas sei que tenho meu potencial para brigar em ondas maiores. No ano passado, fiquei em quinto em Pipeline em um mar gigante. A FINAL NO RIO O Bede (Durbidge, rival na final) falava comigo na água sobre a torcida, dizendo que nunca tinha visto algo parecido. Ele perguntou o que fiz para tirar a nota 10, me cumprimentou pela vitória e perguntou como eu ia fazer para sair da água. Vou te dizer, eu estava com medo na hora de sair do mar. E eu queria tirar outro 10. Queria fazer 20 na pontuação total. Cheguei perto! CANSAÇO DEPOIS DO WCT Ultimamente só penso em dormir o dia inteiro. Campeonato cansa muito. Esgota mesmo, física e mentalmente. Ficar esperando pelas baterias, sem saber se vai ter campeonato. No domingo, eu estava na maior adrenalina, nem sentia o cansaço, nem queria dormir. A ficha está caindo aos poucos. TÍTULO MUNDIAL É cedo ainda para pensar nisso, mas quero me manter entre os cinco primeiros e chegar até a última etapa podendo brigar pelo título. AMOR PELO SURFE Segue o mesmo. Sou apaixonado. Às vezes, volto para casa cansado de um campeonato e penso em descansar. Digo para mim mesmo que vou ficar uma semana sem cair na água, mas no dia seguinte já quero surfar. Créditos: RENATO DE ALEXANDRINO | O Globo
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