segunda-feira, 2 de março de 2015

Entenda a associação de esteróides anabolizantes com o exercício físico

A associação entre os EAs e o treinamento físico é capaz de produzir alterações na performance de atletas, dando larga vantagem do ponto de vista da treinabilidade e podendo ser determinante no resultado final em uma competição. Historicamente a partir da década de 60, o uso dessas drogas passou a ser difundido no meio esportivo, quando entrou para a lista de substâncias proibidas do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em meados da década de 70, iniciaram-se os testes antidopagens para os EAs. O caso mais famoso de um atleta flagrado em um exame antidoping ocorreu nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, quando o corredor canadense Ben Johnson foi eliminado da competição, perdendo a medalha de ouro que havia conquistado. Posteriormente, o uso de EA se difundiu. Deixou de ser exclusividade do universo esportivo de alto rendimento e passou a ser usado e abusado por praticantes de atividade física recreativa e freqüentadores de academias, interessados nos efeitos estéticos que essas drogas, aliadas ao treinamento resistido, podem proporcionar. Apesar de os EAs serem substâncias ilícitas e que causam diversos efeitos colaterais, alguns atletas procuram utilizá-los para se beneficiarem durante as competições. Isso ocorre porque quase que a totalidade dos tecidos do organismo possuem receptores para hormônios androgênicos. Um exemplo disso é que os EAs estimulam a síntese e a liberação de hemoglobina (proteína carreadora de oxigênio), aumentando a oferta de oxigênio nos tecidos, conseqüentemente melhorando o rendimento desportivo. Tamaki et al mostrou em estudo com animais de laboratório, que os EAs diminuem o tempo de recuperação entre as sessões de treinamento. Outros estudos mostram o aumento do glicogênio muscular e da síntese de proteína com conseqüente aumento da massa magra. Entretanto, o uso abusivo dos EAs pode carretar o aparecimento de efeitos colaterais reversíveis e irreversíveis, na maioria dos sistemas do organismo (sistemas hepático, cardiovascular e endócrino). Dentre esses efeitos podem ocorrer danos no tecido hepático, atrofia de testículos, hipertrofia de clitóris e, em alguns casos, podem chegar à hipertensão arterial e à hipertrofia ventricular esquerda. Outro efeito ocorre sobre a arquitetura do sono. Estudos, em nosso laboratório, ainda em andamento, demonstram que o uso de EAs resultam na diminuição da eficiência do sono e no aumento a latência de sono, trazendo prejuízos à qualidade do sono. O uso de EAs no meio esportivo atravessou décadas, fazendo parte da política esportiva oficial de alguns países. Porém os estudos sobre a extensão da participação desse tipo de substância sobre a performance dos atletas demoraram algum tempo a ser comprovados. Pois os estudos controlados não observavam alterações na potência, na força e na secção transversa muscular, isso porque as dosagens dos EAs administradas nesses estudos estão bem abaixo das usadas pelos atletas. O que são esteróides anabolizantes? Mais conhecidos como “bomba”, ou apenas como “anabolizantes”, são substâncias sintéticas produzidas a partir do hormônio natural masculino testosterona. São chamados de anabolizantes porque promovem, entre outras coisas, o anabolismo, que é o crescimento celular. É importante que se diga que nem tudo que é anabólico é um esteróide anabolizante, pois anabólico é tudo aquilo que provoca um crescimento muscular, seja droga ou não. O que pouca gente sabe é que são drogas legais, utilizadas para fins medicinais em pacientes com problemas hormonais, déficit decrescimento, osteoporose e etc. O que é ilegal é o seu consumo sem prescrição médica, para fins estéticos ou esportivos. O que ocorre nestes casos é um uso exagerado, com doses muitas vezes superiores àquelas que são usadas em tratamentos médicos. Os mais comuns são: Primobolam (Metenolona), Deca Durabolin (Nandrolona), Winstrol (Stanozolol), Durateston, GH (Somatrofina), Hemogenim (Oximetolona), Clembuterol, Anavar (Oxandrolona), Proviron (Mesterolona) e Equipoise (Boldenona). Pra quê servem? Como dito no parágrafo anterior, originalmente são utilizados para tratamentos medicinais. Mas fora deste contexto, seu uso mais comum pelo público em geral é para promover o ganho de massa muscular (hipertrofia) e diminuição da gordura corporal e pelos atletas para ganho de desempenho em competições esportivas. Como atuam? Os esteróides anabolizantes atuam no organismo através de diversos mecanismos bioquímicos e fisiológicos, mas o objetivo deste post não é explicá-los minuciosamente, para que o texto não fique muito técnico. Eles atuam basicamente promovendo a síntese protéica, a hipertrofia muscular, a redução da gordura corporal e diminuindo a ação catabólica. Quais são os efeitos colaterais? O grande problema dos esteróides anabolizantes está na grande quantidade de efeitos colaterais que eles causam, tanto estéticos como de saúde. Cerca de 69 efeitos colaterais já foram documentados. Os principais são os seguintes: Aumento na pressão sanguínea; Aumento do colesterol LDL e diminuição do HDL; Acne; Calvície; Hepatoxidade (danos ao fígado); Alteração da morfologia do ventrículo esquerdo (coração); Ginecomastia (desenvolvimento das mamas nos homens); Função sexual reduzida e infertilidade temporária; Atrofia testicular; Aumento da agressividade. Há ainda alguns efeitos relacionados a mulheres: Crescimento de pêlos do corpo; Disfonia vocal (voz mais grave); Aumento do clítoris; Diminuição temporária nos ciclos mestruais. Há ainda alguns estudos que encontraram relação com diversos tipos de câncer. Outro fator importante é que ainda não se sabe o quão reversíveis são os efeitos colaterais. Uma parte desses efeitos parece regredir com a interrupção do uso, outra parte não. Há ainda diversos relatos de morte súbita. É importante que seja dito que estes efeitos colaterais ocorrem com a superdosagem, que é justamente aquela praticada pelo público em geral com fins estéticos e por atletas. Eles são controlados e pouco percebidos quando utilizados em tratamentos médicos. O melhor caminho para a conquista de um corpo mais bonito ainda é a boa e velha combinação de reeducação alimentar com a prática regular de exercícios físicos. Por mais que leve tempo, este processo é mais seguro, saudável, e tem possibilidades infinitamente maiores de manutenção do resultado. Lembre-se: a pressa é inimiga da perfeição! Fontes: EduPersonal, UOL, Globo.com
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