sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Pela quinta vez consecutiva, a DASH, dieta criada para combater a hipertensão, fica em primeiro lugar no ranking dos especialistas em nutrição

E o Oscar das dietas vai para... a Dash, é claro. Nos bastidores, nenhuma surpresa. Afinal, é o quinto ano consecutivo que o cardápio encabeça o ranking da publicação americana US News & World Report, que convida especialistas em nutrição, diabete, obesidade e cardiologia para avaliar planos de dieta de acordo com critérios como facilidade de adesão, valor nutricional, segurança, perda de peso em longo prazo e controle e prevenção das doenças cardiovasculares. Neste ano, a DASH - sigla para Dietary Approaches to Stop Hypertension ou, numa tradução livre, dieta para barrar a hipertensão - desbancou outras 41 dietas, derrotando fortes concorrentes como o menu mediterrâneo e o preconizado pelo grupo Vigilantes do Peso. O cardápio foi, na verdade, campeão em três categorias: melhor dieta em geral, dieta mais saudável e melhor dieta para o manejo do diabete. O sucesso da DASH com quem entende de nutrição se deve justamente à simplicidade e à ausência de regras restritivas. "Não há nada de dramático ou radical nesse cardápio. Pelo contrário, ele enfatiza os alimentos que sempre são recomendados e nenhum grupo é considerado fora dos limites", declarou a SAÚDE Angela Haupt, editora da US News & World Report. Mas esse plano alimentar não cai nas graças apenas dos jurados do ranking americano. Camila Gracia, nutricionista o Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, acredita que a DASH também é preferida entre muitos especialistas brasileiros, também em função de sua riqueza nutricional e praticidade. "Ela tem uma atitude mais positiva em relação à alimentação. Não exige dos adeptos muitos malabarismos gastronômicos e pode ser feita com alimentos que estão perto de você", justifica. Como não restringe grupos alimentares, é mais fácil de ser seguida - tanto por quem quer controlar um problema de saúde como por quem busca preveni-lo. O que é que essa dieta tem? Para responder a essa pergunta, vale entender em que contexto a DASH foi criada. Apesar de ainda ser um nome meio estranho aqui no Brasil, a DASH existe há quase duas décadas e está baseada em estudos patrocinados pelo The National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI), nos Estados Unidos. Inicialmente foi desenvolvida com o foco de controlar a pressão arterial de modo a evitar o uso de medicamentos. E o êxito nessa seara foi atestado já nas primeiras análises. "Os resultados mostraram que, em comparação com a típica dieta dos americanos, a DASH foi eficiente não só na redução da pressão arterial, como também nos níveis de gordura", conta Janet de Jesus, nutricionista do Centro de Tradução de Pesquisas e Implementação Científica do NHLBI. Desde então, são muitas as revisões científicas que demonstram que a dieta tem o potencial para afastar uma série de encrencas: acidente vascular cerebral, insuficiência do coração, pedras no rim, diabete e até alguns tipos de câncer. Quando se respeitam os limites calóricos, a DASH também atua no controle do peso. Com a vantagem de ser um caminho mais seguro para garantir os resultados por muito mais tempo. É o que explica Maíra Branco Rodrigues, nutricionista do Hospital das Clínicas de São Paulo: "Perder quilos de forma gradual provoca uma mudança no estilo de vida, o que é benéfico inclusive para manutenção do peso a longo prazo. Pensando nisso, a DASH é mesmo a melhor escolha". Esses benefícios todos só são possíveis porque a dieta enfatiza o consumo de frutas, hortaliças e grãos integrais, como aveia e linhaça, além de prever maior ingestão de laticínios magros, peixes, óleos vegetais e oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas, etc...). E propõe uma diminuição no consumo de sódio, açúcares e de gorduras saturadas, encontrada principalmente em carnes vermelhas, e trans, presente em frituras e alimentos industrializados. Isso significa que o churrasco de domingo e o docinho de vez em quando continuam liberados. Basta ter bom senso e moderação. Sobretudo se já houver excesso de peso ou pressão alta no pedaço. "O ideal é fazer uma autoavaliação levando em conta quantidade e frequência com a qual você ingere alimentos calóricos e gordurosos", aconselha Camila. Já está pensando em aderir à DASH? Frutas, legumes e verduras O combo é pobre em calorias, o que facilita a perda de peso, e rico em vitaminas e minerais, essenciais para que o corpo execute até a mais básica das funções, respirar. Também é carregado de fibras, que além do controle da função intestinal e aumento da saciedade, ajudam a reduzir a concentração de glicose no sangue ( os diabéticos comemoram!) e do colesterol ruim, o LDL. Por fim, as frutas, especialmente as cítricas e as vermelhas, são cheias de antioxidantes, moléculas capazes de retardar ou evitar disfunções das células e o consequente aparecimento de doenças crônicas, como hipertensão, piripaques cardíacos e câncer. Quanto consumir: de 4 a 5 porções ao dia. Leite e derivados magros Além de ser boa fonte de proteína e vitaminas A e D, os laticínios são a melhor maneira de colocar o cálcio para dentro do corpo. Em equilíbrio com o potássio, também encontrado nesse grupo de alimentos, o mineral auxilia a controlar a pressão arterial e inibe enzimas responsáveis pela armazenamento de gordura no corpo. Outro benefício, aí em longo prazo, é a própria manutenção óssea. Uma ingestão adequada de cálcio afugenta a osteoporose e passa a rasteiro no risco de fraturas. Quanto consumir: de 2 a 3 porções ao dia (cada uma corresponde a 1 copo de leite, 1 xícara de chá de iogurte ou 1 pedaço de 40 gramas de queijo). Carnes magras Proteínas magras, como peixe, frango ou ovo, são famosas por estimular o metabolismo e reconstruir os músculos. Os frutos do mar levam uma vantagem: contam com a gordura ômega-3, que combate a inflamação das artérias, favorece o controle do colesterol e resguarda a atividade cerebral. Se você é um dos loucos por carne vermelha, prefira os cortes mais magros, como alcatra, filé mignon, lagarto e patinho. Quanto consumir: 2 filés por dia. Óleos vegetais Ricos em vitamina E e ômegas 3, 6 e 9, esses alimentos facilitam a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D e K) e participam da produção de hormônios fundamentais para o corpo, como cortisol, estrógeno, progesterona e testosterona. Também ajudam a regular os níveis de colesterol bom e ruim no organismo. Para cozinhar alimentos, prefira os óleos de soja, canola e girassol. Para temperar saladas e dar mais sabor ao prato, vá de azeite de oliva extravirgem. Quanto consumir: de 2 a 3 colheres de chá por dia. Diminua: sal, açúcar e gordura trans A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que adultos consumam menos de 2 gramas de sódio, ou 5 gramas de sal, por dia. Isso equivale a menos de uma colher de chá de sal. Vale lembrar que um sanduíche como este da foto e produtos industrializados, embutidos estão carregados de sódio. Já em relação ao açúcar, a recomendação da OMS é não ultrapassar 5% das calorias ingeridas por dia, o equivalente a 25 gramas ou, mais ou menos, seis colheres de chá.
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