domingo, 28 de setembro de 2014

Com show arrasador no Brasil, Miley faz pop com enchimento e psicodelia

Miley Cyrus já tinha avisado: a turnê "Bangerz" desembarcaria no Brasil sem alguns de seus principais elementos cenográficos. Faltou, enfim, um cachorro-quente inflável, um carro, a roupa com notas de dólar e o escorregador em formato de língua, por onde ela costuma fazer sua entrada triunfal. Mesmo com o palco esvaziado, e a Arena Anhembi com apenas metade de sua capacidade preenchida, Miley chegou a São Paulo com um espetáculo recheado de elementos sexuais e psicodélicos, como poucos ídolos do pop se aventurariam em fazer. Equilibrando-se entre o "kitsch" e o "cool", ela mostrou seu pelotão de anãs, dançarinos fantasiados de bichos e o twerk, o tal movimento de quadril que gerou polêmica quando a cantora enterrou de vez sua personagem da Disney, Hannah Montana. Na falta da língua cenográfica, uma parede móvel, com uma cortina brilhante, escondia Miley no início da apresentação. Para delírio da plateia, ela abriu a cortina rapidamente para mostrar a língua e só a abriu de novo quando seu bumbum estava devidamente em foco. O fascínio pelas próprias nádegas, no entanto, acabou revelando mais do que o planejado. Entre os diversos maiôs cavados, traseiros de espuma e fantasias coloridas, um pedaço do que parecia ser enchimento embaixo das nádegas da cantora saiu do lugar, por baixa da meia-calça transparente, e ficou em evidência no telão. Os fãs que estavam na ponta do palco a avisaram da gafe. Ela sorriu e fez um movimento com as mãos, como se dissesse: "é, fazer o quê?". Sem embaraço, apenas escondeu a falha com uma camisa que um fã havia jogado no palco. Ninguém ligou. O público manteve os gritos e a chuva de sutiãs no palco durante as músicas "4x4" e "We Can't Stop". A cantora retribuía cuspindo água nos mais ardosos ou usando o celular para gravar um vídeo selfie em "Love Money Party". Sexo, drogas, pop para menores Embora o público fosse majoritariamente jovem --de 16 a 25 anos, em média--, Miley não deu espaço para o puritanismo e caprichou nas citações ao sexo e à maconha. Bem antes dos cigarrinhos suspeitos (cenográficos) invadirem o palco no bis, em "Party in the USA", ela brincou quando um chapéu com um bastão luminoso irritou seus olhos. "Meus olhos estão ardendo o bastante, não preciso dessa coisa", disse, se livrando do adereço. "Mas não estou tão chapada como vocês imaginam", garantiu. No telão, animações psicodélicas e colagens nonsense mostravam Miley ora como uma galinha depenada, ora como um cachorro-quente voador. A banda que a acompanha também caprichou em algumas canções, dando peso em "4x4" e transformando "SMS" em uma piração pop. Antes de "GETITRIGHT", os músicos apostaram em um instrumental com cara de heavy metal, enquanto a cantora aparecia em 3D, no telão, pilotando um jet ski e fugindo de raios que saíam de um satélite com cara de bebê. O momento mais "careta" ficou reservado para "Adore You", quando a "câmera do beijo" buscava os fãs mais apaixonados na plateia. Algumas crianças, acompanhadas dos pais, também apareceram, em maior parte na Pista Premium. Estavam animadas, já os pais não pareciam chocados, mas olhavam sem entender todo aquele circo -- que estava só pela metade no Brasil. Em tom lisérgico, Miley cantou "Lucy in the Sky With Diamonds", dos Beatles, com competência. A versão, mais lenta, deu vazão ao vocal potente da cantora e à levada psicodélica da canção. No refrão, ela escolheu um pênis de borracha, entre os objetos jogados no palco, para erguer como a pedra filosofal daquela insanidade pop. Em seguida, disse ao público, irônica: "Vocês podem ir comer agora, porque vou tocar uma série de músicas de que eu gosto". E emendou mais duas covers, "I'll Take Care of You", conhecida na voz de Etta James, e "Jolene", de Dolly Parton, uma das referências de Miley, que nasceu em Nashville, berço da música country. Mas o que fez o público cantar em coro, mesmo, foi o hit "Wrecking Ball", tocada antes de Miley deixar o palco para, em seguida, retornar no bis. Extasiados, os fãs pareciam ser os mesmos que a acompanhavam na época da Hannah Montana. Com a diferença de que, como Miley, eles estavam se abrindo para a sexualidade, a rebeldia e a transgressão --por mais que tudo isso ainda seja questionável. Após o bis, ao som de "Singin' in the Rain", uma mensagem de agradecimento apareceu no telão com (mais) um trocadilho sexual: "Obrigada por gozarem". Fonte: UOL
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