quarta-feira, 28 de maio de 2014

Cultura Pop: Ano 31 da era Madonna

As redes sociais se alvoroçam: Madonna usa o Instagram para dar uma prévia das suas fotos para a nova edição de L'Uomo Vogue. Os alarmes são ligados: suspeitamos que já começou a promoção para o próximo álbum da Ciccone, feito —como é habitual— com talento fresco: o sueco Avicii, a britânica Natalia Kills. Talvez sejamos ingênuos: ela sempre está promovendo. Em termos de cultura pop, vivemos na era Madonna. E cada vez isso fica mais evidente: há muitas temporadas, as mulheres dominam as listas de vendas. E costumam ser “filhas de Madonna”, cantoras que seguem seus ensinos. Trata-se de uma mãe fabulosa, comprensiva e inspiradora. É fotografada em uma sessão de bandage na companhia de Katy Perry, para um número da V Magazine. Muitos artistas masculinos tratam com desconfiança seus jovens competidores, mas Madonna compartilha palco com Britney, Christina e Miley. É um modelo inalcançável: leva trinta anos de vantagem. Estamos diante de um híbrido de David Bowie, o dos looks impactantes, e Andy Warhol, que integrava arte e negócio. Imaginem: integra a garota material e a mulher espiritual, alterna a vedette alocada com a businesswoman triunfal. De modo geral, os cantores são desastrosos quando entram no mundo dos negócios. Ela é a exceção: fundou a gravadora Maverick, que vendeu com muita vantagem a Warner em 2004, antes da crise. Decidiu juntar todas suas atividades produtivas sob um só teto, que chamam de “acordos de 360 graus”. E o que mais Madonna produz? Coleções de roupa, para a H & M e Macy'séc. Livros, ultimamente infantis. Cosméticos, pela marca MDNA Skin. Uma cadeia de academias. Discos, aptos para serem reciclados em espetáculos que terminam entre os mais rentáveis da história. Merchandising. Mas esqueçamos o cinema: lhe deu mais desgostos que alegrias. E bem que ela sente, já que tanto admirava Marilyn e Marlene. Mas elegeu Nova York acima de Hollywood. Em Manhattan achou que o mundo do pop era acessível para uma garota pronta. Advertiu que o negócio da música aprecia tanto a consistência como a novidade. Assumiu seus limites e soube que a renovação de sua arte requeria eleger colaboradores compatíveis. Evitou as armadilhas das drogas e demonstrou estar disposta a suar. Chegou, que maravilha, no momento justo. O formato do videoclip era perfeito —curto, contundente, provocador— para mostrar suas virtudes e ocultar seus defeitos. Em seu arsenal estava o empoderamiento do feminismo, que considerava compatível com a exploração de sua sexualidade. Redefiniu o ideal feminino, com pequenas rebeldias: a musculação, a ocasional negativa ao depilar as axilas. Acomodada entre a tropa gay, defendeu suas suas causas e exibiu uma sexualidade fluída. Hoje diríamos que Madonna é mestre em fenômenos virales. Mas não existia Internet quando ela descobriu a natureza simplona dos meios, o poder dos tabus, a vulnerabilidade da Igreja Católica e outras instituições, a imensa força dos fãs. Com 55 anos, só lhe sobra um desafio: envelhecer com dignidade. Aposto que isso ela já planejou.
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