quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Conheça o playsson Lorenzo Carvalho, o jovem milionário brasileiro que vem sacudindo Portugal

Trilha Sonora para o Lorenzo: Felguk | Dead Man Swag Um brasileiro de apenas 22 anos, que abandonou a escola aos 16 e tem mais tatuagens que um metaleiro, tornou-se símbolo da crise econômica que assola Portugal e a Europa. Ao aparecer numa TV europeia, Lorenzo Carvalho inflamou a opinião pública, convulsionou as redes sociais, intrigou políticos e abalou a mídia portuguesa. Lorenzo é herdeiro de um império familiar ligado à mineração e aos cosméticos. Filho de mãe brasileira e pai também, mas com raízes lusitanas, foi criado a pão de ló em Milão. Há um ano, mudou-se para o Estoril, uma sofisticada localidade a 20 km de Lisboa, onde funciona um dos mais concorridos cassinos europeus. A mansão da família, tipo Versalhes, vive rodeada de seguranças. Na garagem, uma majestosa coleção: quatro Ferraris, um Bentley, um Porsche Cayenne, um Fiat 500 com 500 cavalos... Um dos sonhos mais acalentados por Lorenzo é comprar o autódromo do Estoril, onde Ayrton Senna obteve sua primeira pole position e a primeira vitória na Fórmula 1, em 1985. O jovem idolatra Senna e suspira: "Era a pista favorita dele". O circuito até está à venda. A última oferta de venda ao público foi em 2007, por 35 milhões. Apareceu um único interessado, que acabou não aceitando o preço do governo. Assim, o circuito permaneceu estatal. Os bólidos são um dos xodós desse avatar biológico de Riquinho. Aos 13, ele ganhou seu primeiro automóvel, lembra a mãe, embevecida. Não um reles carrinho de rolimã, mas um microcarro de fibra de carbono assinado pela italiana ATR Group, que desenvolveu o chassi de máquinas como Porsche Carrera GT ou Maserati MC 12. Quando soprou 17 velinhas, o presente de aniversário foi sua primeira Ferrari. Por falar na marca do cavalinho, há dois anos Lorenzo integra a equipe da Ferrari em GT3, depois de diversos cursos de pilotagem, mesmo antes de ter idade para tirar carta. Esses cursos são um agrado para quem tem vários carros da marca. A participação nas corridas também é vendida – o pacote custa 1 milhão, mas impõe uma triagem dos ases diletantes. O sonho dourado de Lorenzo é vencer uma prova na pista xodó de Senna. Quem sabe se, jogando literalmente em casa, não teria mais chances de ganhar? As negociações para a aquisição do circuito já estão em curso. Há um mês, Lorenzo transbordou os limites das fofocas mundanas das colunas sociais, ganhando notoriedade nacional. Para comemorar seu 22º aniversário, deu uma festa faraônica na mais badalada casa noturna de Vilamoura, balneário no sul de Portugal, reduto de VIPs, magnatas e meros baladeiros, conhecido como "a Ibiza lusitana". O aniversariante não pode ser acusado de pão-duro: torrou no regabofe nada menos que 400 mil (cerca de R$ 1,2 milhão). Uma parte da dinheirama foi para pagar o cachê (perdão, "convite") da atriz Pamela Anderson, que se celebrizou nos anos 1990 por povoar a série SOS Malibu, no papel de uma salva-vidas que fazia muito marmanjo querer se afogar, só por causa da respiração boca a boca ministrada por aqueles lábios carnudos. Aos 46 anos, com pinta de chacrete aposentada, a loira chegou à festança a bordo de uma das Ferraris do anfitrião, pilotada pelo próprio. No contexto da austeridade draconiana que mantém a maioria dos europeus a pão e água, a farra ressoou como uma espécie de versão lusa do Baile da Ilha Fiscal, o faustoso arrasta-pé que assinalou o canto do cisne da monarquia brasileira, seis dias antes da Proclamação da República. E foi por causa dessa repercussão sísmica que Judite de Sousa, a mais proeminente jornalista da TV portuguesa, decidiu convidar Lorenzo para seu programa de entrevistas, normalmente frequentado somente por circunspectos economistas e políticos. O brasileiro compareceu ao estúdio da TVI em seu invólucro proverbial: camiseta justíssima salientando os músculos sarados e mais penduricalhos que os balangandãs de Carmem Mirada – uma quantidade de ouro capaz de ofuscar Midas. As tatuagens sobem pelo pescoço e descem até os dedos. Nos pés, sapatos Louboutin com tachas e sola escarlate. Nas garras da incisiva jornalista, tudo pressagiava um linchamento público do rapaz. Mas, o feitiço virou contra o feiticeiro. A entrevistadora atacou o entrevistado com tal truculência que ele, sem jamais perder o rebolado, saiu do programa quase de harpa e auréola. Entre outras saraivadas, Judite cuspiu fogo: "Olho para você e vejo um relógio de 50 mil. Uma cruz de diamantes. Um verdadeiro consumista, certo? Sabia que o desemprego em Portugal já vai nos 40%?" Lorenzo se manteve impávido, arrulhou que "o mais importante é a amizade", e que ajuda muita gente de pires na mão com uma ONG ternamente chamada Terra dos Sonhos. Tais platitudes fofinhas, a indefectível fascinação pela riqueza e a ferocidade predatória da jornalista fizeram com que os espectadores portugueses, inesperadamente, virassem tietes do playboy. No dia seguinte, Lorenzo postou em sua página no Facebook (que saltou para 200 mil seguidores) uma foto na qual aparecia empoleirado no capô de sua Ferrari, com a legenda: "Lorenzo 10, Judite 0". Apesar da alfinetada, o post continuava altivo e cavalheiresco: "Acredito do fundo do coração que a jornalista não foi mal-intencionada, mas agradeço a todos pelas centenas de mensagens de carinho. Vocês estão no meu coração! Portugal é super gente boa!" Os canais concorrentes da TVI não perderam a oportunidade de dar um tranco na rival, apinhando seus telejornais com depoimentos de transeuntes indignados. Como este – uma espécie de síntese da opinião pública –, de um lisboeta idoso: "O preconceito existe. Seja pela cor da pele, pela religião, pelo gênero e agora pela conta bancária. O que Lorenzo faz com seu dinheiro não diz respeito a Judite nem a nenhum português. Fico feliz por saber que há Lorenzos gastando seus milhões em Portugal. Com isso, só ajuda o país e os portugueses". O caldo entornou ainda mais para Judite quando foi revelado que o salário mensal dela é de 25 mil (cerca de R$ 75 mil). Como estrilou outro telespectador: "Lorenzo podia ter lhe perguntado quantas pessoas ela ajuda com esse rendimento. Não perguntou. Foi uma bofetada de luva de pelica". Enquanto isso, Pamela Anderson, assediada ao embarcar de volta aos EUA, tirou espirituosamente o bumbum da seringa: "Foi muito divertida minha primeira vinda a Portugal. Tudo que quero na vida é ir à praia". Na própria TVI, Marcelo Rebelo de Sousa, ex-primeiro-ministro, ex-diretor do maior jornal de Portugal (o semanário Expresso), constitucionalista emérito e um dos supremos opinion makers lusitanos também meteu a colher. Para apimentar ainda mais o drama, emitiu seu palpite diante da própria Judite de Sousa, âncora do telejornal em horário nobre e também diretora de informação da TVI. Diante do influente analista, Judite balbuciou, compungida: "Parece que seu último comentário hoje tem a ver com minha própria pessoa...". Marcelo cutucou a interlocutora por ter "se irritado um bocadinho", mas salientou que a controversa entrevista deixou transparecer "duas concepções diferentes do dinheiro e da vida. A de um herdeiro hedonista e a de uma jornalista preocupada com o estado da economia". Coincidência ou não, nos últimos tempos inúmeros bilionários anunciaram que não deixarão suas fortunas para seus pimpolhos. Casos do fundador da Microsoft, Bill Gates; do magnata Warren Buffet, presidente de uma firma de investimentos; e do empresário e prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Todos eles – e muitos outros – oficializaram recentemente uma opção pela filantropia, restringindo o acesso dos herdeiros ao pé-de-meia familiar. O que foi confirmado pelo jornal britânico Sunday Times: "Há dez anos, 75% da lista dos mais ricos do mundo eram compostos por gente que havia herdado dinheiro de família. Hoje, essa proporção é inversa". O caso de Lorenzo Carvalho repercutiu na vizinha Espanha, igualmente na pindaíba. A entrevista despontou na primeira página dos principais diários de Madri (El País) e Barcelona (La Vanguardia). Esse último, beliscando uma hipotética frivolidade esbanjadora dos herdeiros abonados, citou um antigo ditado catalão sobre a fugacidade da fortuna: "Avós ricos, netos pobres". Encurralada pelo consenso hostil, Judite não teve remédio senão reconsiderar. Numa entrevista ao jornal lisboeta Diário de Notícias, pediu desculpas publicamente e expiou sua atitude: "Se meu tom foi considerado excessivo é porque as pessoas têm razão. Dou a mão à palmatória. Aquela para mim foi uma sexta-feira negra". Muitos portugueses aguardavam o ponto de vista do romancista Miguel Sousa Tavares, ex-colega de Judite na TVI, colunista do Expresso e, a par de Marcelo Rebelo de Sousa, o principal formador de opinião em Portugal. No entanto, Sousa Tavares acabou por se abster – talvez por se debater com os próprios micos recentes. Em entrevista ao Jornal de Negócios, o autor do best-seller Equador, tantas vezes intempestivo e mercurial, chamou o presidente da república, Aníbal Cavaco Silva, de "palhaço." Nas palavras dele: "O pior que pode nos acontecer é um Beppe Grillo. Mas já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva. Pior que isso é difícil". A procuradoria-geral abriu inquérito contra o colunista – em causa estava um crime de ofensa à honra do presidente da república, punível com pena de até 3 anos de prisão. Sousa Tavares engoliu um sapo do tamanho de um dragão de Komodo e se retratou: "Acho que o presidente e o ministério público têm razão. Reconheço que não deveria ter dito aquilo. O chefe de Estado é uma entidade que respeito". Com isso, o processo acabou arquivado. Episódios como os de Lorenzo e Judite e de Sousa Tavares e Cavaco Silva indicam que a crise econômica e social também se reflete na mídia, bagunçando coretos. Mas, voltando aos podres de ricos: o avô da patricinha Paris Hilton prometeu doar 97% de sua fortuna a instituições de caridade. E, neste mês, Eike Batista saiu oficialmente da lista de bilionários da revista Forbes. Mas que os herdeiros Paris Hilton e Thor Batista não se amofinem. Como suspirou o falecido quaquilionário americano Jean Paul Getty: "É difícil dizer o que traz a felicidade. Tanto a riqueza quanto a pobreza já fracassaram".
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