quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Gloria Estefan divulga novo disco em alto estilo no Arsenio Hall Show nos Eua

Um projeto considerado “ambicioso” até mesmo por sua autora, “The standards”, novo disco de Gloria Estefan, será lançado no próximo dia 10. Inspirada por suas participações nos álbuns “Duets”, de Frank Sinatra, e “Viva duets”, de Tony Bennett, ela selecionou 13 clássicos internacionais e gravou versões em inglês, espanhol, italiano, português e francês. Em entrevista ao G1 por telefone, a cantora explica que foi difícil selecionar canções, mas, no final, ficou com “músicas que têm algum significado muito importante” em sua vida, relacionadas a eventos como seu casamento ou a relação com sua filha. Produzido por Shelly Berg e Emilio Estefan, marido de Gloria há 35 anos, o CD tem como convidados a cantora e compositora Laura Pausini, o violinista Joshua Bell e o saxofonista Dave Koz. Entre os destaques estão “The day you say you love me”, a primeira versão em inglês de “El día que me quieras”, para a qual a cantora recebeu a única autorização dada pelo espólio de Carlos Gardel até hoje, e “Sonríe”, um dueto em espanhol e italiano com Laura Pausini, no qual Gloria canta em italiano pela primeira vez. Além disso, ela também gravou pela primeira vez em português “Eu sei que vou te amar”, de Tom Jobim, para a qual havia feito versões em inglês, espanhol e francês. Com mais de 100 milhões de discos vendidos, sete prêmios Grammy e uma indicação ao Oscar, Gloria Estefan já escreveu livros infantis, atuou no cinema e na TV e é dona de restaurantes, hotéis e até de uma parte do time de futebol americano Miami Dolphins. Pretende também produzir um musical para a Broadway inspirado em sua vida. G1 - Qual foi o critério que você usou para a escolha do repertório de ‘The standards’? Como você chegou à lista final, com 13 músicas? Gloria Estefan - Não foi fácil, devo te dizer (risos), porque eu na verdade comecei procurando entre centenas de músicas. Levei então 50 delas até Shelly Berg,da Frost School of Music da Universidade de Miami, que foi o arranjador e maestro do disco. Quando cheguei até ele com essas 50 músicas nós nos sentamos ao piano, literalmente, e começamos a conversar sobre aquelas que tinham mais significado para nós dois, porque eu também queria que ele amasse o que estava fazendo e se sentisse inspirado. E então escolhi canções que têm algum significado muito, muito importante na minha vida. Eu queria uma de Tom Jobim, porque a música brasileira sempre foi uma influência muito grande para nós. Também gravei a música do meu casamento, “El dia que me quieras” e escrevi uma letra em inglês para ela, o que nunca tinha sido feito antes, e a família de [Carlos] Gardel adorou. G1 – Todas as músicas desse disco são clássicos, mas você mexeu bastante na estrutura. Você teme que alguém possa reclamar de tamanha “ousadia”? Gloria Estefan - Não! Se você quer saber, ficarei feliz se acharem que fizemos algo diferente, fomos muito corajosos com os arranjos, eu queria especificamente que fosse algo que pessoas com sensibilidade pop pudessem amar e entender. Queria fazer algo que fosse um pouco aventureiro e que as pessoas que adoram jazz, porque Shelley é um pianista de jazz maravilhoso, também achassem interessante e gostassem. Encontramos um bom equilíbrio. Tentamos coisas diferentes e meu maior elogio é quando as pessoas ouvem o disco e, elas me contam, se sentem como se estivessem ouvindo as músicas pela primeira vez. E, com músicas como essas, que estão por aí há décadas, isso é um elogio e tanto, eu realmente adoro isso. G1 – E como você escolheu os músicos convidados do disco? Gloria Estefan - Bem, Dave Koz foi por que eu estava procurando por um som de sax realmente sexy, bastante suave, e ele é um cara incrível, sou uma grande fã e ele era perfeito para esse disco. Laura Pausini é alguém que também admiro muito, e eu já tinha feito uma versão em espanhol de “Smile”, de Charlie Chaplin, e quando a reescrevi em italiano achei que ela seria perfeita, porque é italiana, mas é maravilhosamente fluente em espanhol também e é uma excelente cantora, famosa em todo o mundo latino. Eu a admiro muito, é uma garota muito doce. Ela estava estava grávida de oito meses, então gravou lá mesmo. E Joshua Bell, na verdade, foi uma sugestão de Shelly, porque ele é tipo o violinista número um no mundo em seu gênero. G1 - E quando você decidiu usar vários idiomas no álbum? Gloria Estefan - Bem, tenho a sorte de ter uma carreira internacional e eu estudei francês, francês foi uma das minhas disciplinas na faculdade, então foi fácil. E eu já tinha gravado em português antes e esse já era o idioma original de “Eu sei que vou te amar”, claro. Mas achei que seria ótimo se tivessem a oportunidade de me ouvir cantar em uma língua diferente, e eu nunca tinha cantado em italiano, então esse foi um incrível desafio, mas quando você sabe espanhol... as línguas latinas têm uma raiz similar e eu tenho um ouvido realmente bom pra isso. Eu apenas achei que traria algo novo e um som diferente ao disco, pegar essas músicas clássicas que eu consigo cantar em várias línguas. G1 - E por que você escolheu cantar em inglês uma música de Carlos Gardel? Gloria Estefan - Eu costumo cantar essa música em espanhol. Mas no disco ela está em inglês porque foi a música do meu casamento, há quase 35 anos. Foi a primeira que Emilio e eu dançamos como marido e mulher. E acho que ela é tão, tão linda e nunca tinha sido traduzida para o inglês. Era um desafio e pensei que seria uma grande oportunidade, já que eu falo espanhol. Mantive-me muito fiel às sensibilidades dos anos 20 e às metáforas que ele usou. Então foi um bom desafio e pensei que ela se tornaria uma linda música para casamentos, até porque em inglês não há muitas delas. G1 - Você já gravou com Alexandre Pires (a música “Santo, Santo”, que rendeu à dupla um Grammy Latino em 1999) e se apresentou nas comemorações dos 25 anos do Só Pra Contrariar. Tem vontade de trabalhar com outros brasileiros? Quais? Gloria Estefan - Oh, meu Deus, já andei perguntando sobre novos talentos, mas, é claro, eu amo os clássicos. A versão que mencionei que dançamos no nosso casamento, de “El dia que me quieras”, foi a do Roberto Carlos. E adoro Milton Nascimento, Gal Costa, Simone. Cresci ouvindo cantores brasileiros maravilhosos, como Rosa Passos. Simplesmente amo música brasileira e já fiz até um disco chamado “Rio”. Acho que todo músico adora a música brasileira. Ela é sensual, muito sexy e o idioma é bonito. Não tenho ninguém em mente, já trabalhei com muitos cantores em minha vida, já cantei com os Três Tenores, com Sinatra, com Tony Bennett, então se existir uma ideia de alguém com quem eu queira fazer algo... Como quando eu cantei com Alexandre, que foi ótimo e eu o adoro... G1 – Existem artistas populares no Brasil, mas que não conseguiram atingir o mesmo nível de sucesso no mercado latino. Você tem algum palpite sobre o motivo? E teria algum conselho para os que quiserem tentar? Gloria Estefan - Permaneça fiel a quem você é. Acho que você tem que tentar continuar fazendo sempre sua música, algo em que você acredite e ame. Você não deveria tentar se moldar ou fazer algo específico apenas por que quer atingir determinado mercado. Até porque se fizer isso e não for algo que goste, vai passar sua vida inteira presa naquilo. Mas houve um enorme sucesso brasileiro recente no mercado latino, e nos Estados Unidos, e que inclusive era em português. “Assim você me mata...” (canta). Como era mesmo o nome? (risos). Meu Deus, ele foi um sucesso imenso. Ele fez realmente essa transição e funcionou. E é só ver outro grande hit recente, que foi o “Gangnan style”. G1 – Você já fez trabalhos como atriz e, depois de anos afastada, voltou a atuar na série “Glee”. Como foi a experiência? Pretende voltar em outros episódios? Gloria Estefan - Ah, eu adoro “Glee”. Foi uma experiência tão incrível! Mas eu não sei o que vai acontecer, porque tudo é secreto e eles nunca te contam. Eu sabia que iria fazer aquela participação havia meses e fiquei esperando... Só nos avisaram duas semanas antes de eu gravar, porque não deixam os roteiros vazarem. Eu adoraria voltar. E cantar seria ótimo, mas a razão pela qual eu não cantei da primeira vez foi porque nós sabíamos que eu ficaria em cena por cerca de quatro minutos e queríamos desenvolver a personagem, que era a mãe de Santana (Naya Rivera), e você se lembra de que ela tinha aquele problema com a avó. E todos sabem que sou cantora, então não é como com as outras pessoas que você não sabe que podem cantar, como quando Gwyneth Paltrow apareceu e ficaram chocados porque ela fez um trabalho excelente. Seria ótimo poder fazer um dueto com Naya ou cantar com todo mundo. Pensamos em fazer um grande número com Ricky (Martin), porque ele também estava na série, mas essas coisas mudam em cima da hora, depende dos roteiristas. G1 – E você conheceu Cory Monteith? Gloria Estefan - Sim, eu o encontrei. Ele estava gravando uma cena em um vestiário naquele dia. Mas eu já o havia conhecido antes, porque tinha ido com meu filho, a mulher dele e minha filha até Los Angeles para resolver coisas e fomos convidados a visitar o set, antes de eu ser convidada a participar da série. E foi então que o conheci, ele estava fazendo uma cena em que contracenava com Lea (Michele) e ele era doce, gentil. Foi uma pena. G1 – E você pretende voltar também ao cinema? Tem interesse em atuar com mais frequência? Gloria Estefan - Eu adoraria. As pessoas me enviam coisas, mas só irei fazer algo que faça sentido para mim. E é uma experiência de amadurecimento, fiz um musical com Meryl Streep (“Música do coração”, de 1999), um filme com Andy Garcia, sobre a vida de Arturo Sandoval (“For love or country: the Arturo Sandoval history, de 2000) e foi tudo fantástico. Mas teria que ser o papel certo e é difícil, porque em geral são projetos que levam anos para serem feitos... mas estamos trabalhando em uma peça para a Broadway, na verdade, baseada em nossas vidas, meio autobiográfica. Estamos empolgados com isso. Eu não vou atuar, mas estou trabalhando com o roteirista, ajudando a escrever. Ela não será apenas baseada em nossos hits, mas estamos compondo músicas novas. Então esse é um grande projeto para mim agora. G1 – E quem você gostaria que interpretasse Gloria Estefan na peça? Gloria Estefan - Sabe, quando essa etapa acabar iremos começar a procurar por artistas no mundo todo. Terão que ser pessoas jovens, porque irão interpretar versões bastante jovens minha e do Emilio, a história começa quando ainda somos garotos, então haverá atores infantis também. E depois alguém para fazer meu papel como adolescente e na faixa dos 30 anos, porque também não dá para mostrar minha vida inteira, seria uma história muito longa e acabaria ficando confusa. Mas iremos procurar e isso provavelmente será transformado em um programa de TV. G1 – Uma espécie de reality show para encontrar os astros do musical? Gloria Estefan - Temos conversado bastante sobre isso. Definitivamente seria uma parte, porque acho que será um processo muito interessante. Essas estrelas terão que ser bilíngues e que saber cantar e se apresentar várias vezes por semana. Vai ser algo bem duro.
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