quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Novo clipe do P9, “Love You in Those Jeans" vira um mega sucesso

Às 16h de uma quarta-feira, um grupo de 20 meninas se espalha na calçada de um hotel em São Paulo. Algumas com mochila de escola nas costas, outras com sacolas com comidas, mas todas com a aparência de menores de idade. Elas sentam, conversam animadas e observam atentamente a movimentação na entrada do local. Já dá para imaginar: uma boy band está hospedada ali. Entre uma entrevista e outra, os americanos Wesley, Drew, and Keaton, do Emblem 3, observam pela janela a movimentação. "É uma loucura. Já tivemos um rápido contato com elas no aeroporto. É engraçado ver de perto toda a movimentação que ouvimos pelo Twitter sobre as fãs brasileiras". O trio é novato e acaba de lançar seu disco, após ficar em 4° lugar no reality show "X-Factor". Parafraseando um bordão que o brasileiro adora usar para falar da Copa do Mundo, dá para se perguntar: imagina quando for o One Direction? Enquanto os ingleses – que hoje sustentam o título de maior boy band de todos os tempos agora – não desembarcam por aqui, as adolescentes não terão problemas em encontrar um ídolo para chamar de seu e defendê-lo nas redes sociais. É a hora e a vez do pop na música brasileira. Se até o funk tem servido de embrião para a criação de artistas pop, como Anitta e Naldo, é claro que as boy bands, carro-chefe por excelência do gênero, não ficaria de fora. "O estilo está crescendo e será o grande movimento nos próximos anos, com certeza", dá como certo o produtor Rick Bonadio, responsável pelos grupos Br'oz, Rouge e o novo Girls – resultado do reality show "Fábrica de Estrelas". Além de Girls, uma nova fornada de grupos pop, majoritariamente masculinos, vem surgindo. P9, Fly e The Jump também estão no páreo para conquistar corações, mentes e seu quinhão da histeria juvenil. Até grupos mais antigos, como Rouge e Twister, têm ensaiado uma volta. O termo boy band já foi usado para definir bandas clássicas como Beach Boys e Beatles, além de artistas da soul e da black music, como Jacksons 5 e The Tempations. Hoje o termo é usado cada vez menos para designar um grupo vocal do que para chamar uma banda, digamos, fabricada. "É um produto, não tem como dizer que não. E com prazo de validade", diz Afonso Nigro, produtor musical e um dos "pais" dessa geração – embora as adolescentes de hoje perguntem "quem?" ao ouvir seu nome. Um dos jurados do "Ídolos Kids", Afonso cantou e dançou, com o terno impecável (para os anos 1980), no Dominó, uma das primeiras boy bands de sucesso tupiniquim. "É uma fórmula a se seguir. E por isso que esse tipo de grupo é tão criticado. Há uma indústria por trás", explica. "Nós brasileiros que criamos esses 'conceitos' tortos", rebate Helio Leite, um dos braços direitos de Rick Bonadio e responsável pelo marketing musical do estúdio Midas. "Acho que nós somos preconceituosos e achamos que todo movimento de massa é ruim. Para mim, isso é coisa de velho", ri. Aos 46 anos, o inglês Jason Herbert é um dos produtores que acredita e investe no pop brasileiro. Hoje, morador do Rio de Janeiro, Jason diz que não fala português por não precisar: Está sempre cercado de pessoas que falam sua língua. Assim foi quando conheceu o carioca Igor Von Adamovich no evento "Fashion Rocks". "Quando cheguei aqui, pensei: uau, o Brasil realmente não tem uma boy band. Achei que seria uma boa chance para começar", contou Jason ao UOL. A frase é dita com propriedade. Ele mesmo fez parte de um grupo chamado Big Fun. Calma, você não ouviu falar: ela durou apenas um ano, entre 1989 e 1990. O que não impediu Jason de sentir que ali estava sua grande chance. O carioca de 19 anos chamou o amigo Michael e o inglês abriu audições para escolher mais dois integrantes. Surgia o grupo P9. Com repertório em inglês, Igor, Michael, Jonathan e Gui já emplacaram música em novela, soma seguidoras fanáticas (que se autonomeiam Pniners) e fecharam contrato com a Sony Music com status de artista internacional. É para o P9 bombar não só no Brasil, como no mundo. O primeiro disco foi gravado em Nova York com produção de Vince Brown, que já colaborou com Justin Timberlake. Jason tenta explicar a fórmula: "Eles são um fenômeno, mas estão aqui trabalhando juntos há dois anos, ensaiando. Quando eles sobem ao palco, as pessoas se apaixonam por eles, porque eles são muito profissionais e carismáticos". Simpáticos, os meninos do P9 tocam, cantam e parecem sair de um editorial de moda com a pinta de modelo e o porte atlético. "Em vez de dançarem, eles escrevem as canções para o álbum, tocam bateria, há todo um fundo musical. Se eu pudesse compará-los com um grupo, seria o Jonas Brothers, pelo estilo", diferencia Jason. Sem liberdade artística, mas com um bom penteado Paulo e Caíque, do grupo Fly, têm 23 e 18 anos, respectivamente, e a pegada inegável de galãs. Esses realmente saíram de uma revista: foram colírios da "Capricho". Mas garantem: mesmo arriscando no violão, tinham a música como grande sonho. Nathan, 20 anos, que completa o trio, participou do reality show "Ídolos" e observa que o pop no Brasil é visto com preconceito: "É engraçado pensar que uma pessoa que escuta Rihanna e Chris Brown, ache o Naldo, a Anitta ou a gente como algo ruim", observa. Assim como Girls e P9, o Fly estreou recentemente com um show completo e ao vivo. E com os ingressos esgotados. Mesmo com tanto sucesso, o termo boy band ganha uma conotação negativa por supostamente cercear a liberdade artística de seus integrantes. Embora todos eles afirmam não ter motivos para reclamações, Afonso Nigro confirma. "A escolha do repertório do Dominó era da gravadora. A escolha das roupas era da gravadora. Você acha que eu com 14 anos ia discutir com o presidente da gravadora sobre meu penteado?". O produtor disse que saiu do grupo frustrado por não poder tocar e cantar suas próprias canções. Deu lugar a Rodrigo Faro. Nem por isso tem raiva do gênero, pelo contrário, guarda para si um projeto de um novo reality show para montar "a melhor boy band no Brasil". "Quero fazer com esses meninos tenham mais autonomia", promete. Os tempos eram outros, ele pondera. Hoje uma boy band não precisa necessariamente saber dançar, mas a estética precisa estar alinhada para influenciar o estilo e o comportamento de uma geração. "O One Direction, por exemplo, parte para o glamour total. O fundamental é fazer com que que os meninos se espelhem nos integrantes. E que as meninas enxergue o grupo como príncipes para namorar", diz. Não à toa, é possível encontrar ecos dos penteados de Harry Styles ou do corte militar de Zayn, ambos da boy band britânica, nos grupos brasileiros.
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